Saudação
Paz e bem - Bom dia, Seja bem-vindo !
Função Data Curitiba, 14 de dezembro de 2017


















 

 


Textos, Pensamentos e Mensagens

     
 

 

A Arma do Amor

Há muito tempo atrás, uma menina chamada Yang se casou e foi viver com o marido e a sogra. Depois de alguns dias, passou a não se entender com a sogra. As personalidades delas eram muito diferentes, e Yang foi se irritando com os hábitos da sogra que freqüentemente a criticava. Meses se passaram e Yang e sua sogra cada vez discutiam e brigavam mais.

De acordo com antiga tradição chinesa a nora tinha que se curvar para a sogra e a obedecer em tudo.
Yang já não suportando mais conviver com a sogra, decidiu tomar uma atitude e foi visitar um amigo de seu pai, que a ouviu e, depois, com um pacote de ervas lhe disse:
_ Você não poderá usá-las de uma só vez para se libertar de sua sogra porque isso causaria suspeitas. Vou lhe dar várias ervas que irão lentamente envenenando sua sogra. A cada dois dias ponha um pouco destas ervas na comida dela. Agora, para ter certeza de que ninguém suspeitará de você quando ela morrer, você deve ter muito cuidado e agir de forma muito amigável. Não discuta o que eu digo e ajudarei a resolver seu problema; mas você tem que me escutar e seguir todas as instruções que eu lhe der.
Yang respondeu:
_ Sim, Sr. Huang, eu farei tudo o que o que o senhor me pedir.
Yang ficou muito contente, agradeceu ao Sr. Huang e voltou apressada para casa para começar o projeto de assassinar a sua sogra. Semanas se passaram, e a cada dois dias Yang servia a comida "especialmente tratada" à sua sogra. Ela sempre lembrava do que Sr. Huang tinha recomendado sobre evitar suspeitas, e assim ela controlou o seu temperamento, obedeceu a sogra e a tratou como se fosse sua própria mãe.
Depois de seis meses a casa inteira estava com outro astral. Yang tinha controlado o seu temperamento e quase nunca se aborrecia. Nesses seis meses não tinha tido nenhuma discussão com a sogra, que agora parecia muito mais amável e mais fácil de lidar. As atitudes da sogra também mudaram e elas passaram a se tratar como mãe e filha. Um dia Yang foi novamente procurar o Sr. Huang para pedir-lhe ajuda e disse:
_ Querido Sr. Huang, por favor, me ajude a evitar que o veneno mate minha sogra! Ela se transformou numa mulher agradável e eu a amo como se fosse minha mãe. Não quero que ela morra por causa do veneno que eu lhe dei. O Sr. Huang sorriu, acenou com a cabeça e disse:
_ Yang, não precisa se preocupar. As ervas que eu dei eram vitaminas para melhorar a saúde dela. O veneno estava na sua mente e na sua atitude, mas foi jogado fora e substituído pelo amor que você passou a dar a ela. Na China existe uma regra dourada que diz:

"A pessoa que ama os outros também será amada."

Na grande parte das vezes recebemos das outras pessoas o que damos a elas, então...

...LEMBRE-SE SEMPRE:

O plantio é opcional.
A colheita é obrigatória.
Por isso cuidado com o que planta!!!

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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A Avó de Jéssica:
[Uma Vida de Amor]

O que o homem semear, isso colherá.
(Gálatas 6:7)


Quando Jéssica veio ao mundo, trazia a cabeça amassada e os traços deformados, devido ao parto difícil vivido por sua mãe. Todos a olhavam e faziam careta, dizendo que ela se parecia com um lutador de box espancado. Todos tinham a mesma reação, menos a sua avó. Quando a viu, a tomou nos braços, e seus olhos brilharam. Olhou para aquele bebê, sua primeira netinha e, emocionada, falou: “linda!”. No transcorrer do desenvolvimento daquela sua primeira netinha, ela estaria sempre presente. E um amor mútuo, profundo, passou a ser compartilhado.
Anos depois, quando a avó de Jéssica foi diagnosticada como possuindo o Mal de Alzheimer, toda a família se tornou especialista no assunto. Parecia que, aos poucos, a vózinha ia se despedindo. Ou eles a estavam perdendo. Começou a falar em fragmentos. Depois, o número de palavras foi ficando sempre menor, até não dizer mais nada. Uma semana antes de morrer, seu corpo perdeu todas as funções vitais e ela foi removida, a conselho médico, para uma clínica de doentes terminais. Jéssica insistiu para ir vê-la. Ela entrou no quarto onde a avó estava e a viu deitada na cama, com seus óculos ao rosto, embora estes já não lhe servissem mais, pois ela não conseguia abrir os olhos.
O corpo estava debilitado, a boca entreaberta e mole. Uma grande dose de morfina a mantinha adormecida. Lentamente, Jéssica se sentou à sua frente. Tomou a sua mão esquerda e a segurou. Afastou daquele rosto amado uma mecha de cabelos brancos e ficou ali, sentada, sem se mover, incapaz de dizer coisa alguma.

Desejava falar, mas a tristeza que a dominava era tamanha, que não a conseguia controlar. Então, aconteceu... A mão da avó foi se fechando em torno da mão da neta, apertando mais e mais. O que parecia ser um pequeno gemido se transformou em um som, e de sua boca saiu uma palavra: “Jéssica”. A garota tremeu. O seu nome. A avó tinha quatro filhos, dois genros, uma nora e seis netos. Como ela sabia que era ela?
Naquele momento, a impressão que Jéssica teve foi que um filme era exibido em sua cabeça. Viu e reviu sua avó nos 14 recitais de dança em que ela se apresentou. Viu-a sapateando na cozinha, com ela. Brincando com os netos, enquanto os demais adultos faziam a ceia na sala grande. Viu-a, sentada ao seu lado, no Natal, admirando a árvore decorada com enfeites luminosos. Então Jéssica olhou para a avó, ali, e vendo em que se transformara aquela mulher, sua garganta ficou apertada, e ela chorou.
Deu-se conta que ela não assistiria ao seu último recital de dança, nem voltaria a torcer com ela no próximo campeonato mundial de futebol. Nunca mais poderia se sentar a seu lado, para admirar a árvore de Natal. Não a veria toda arrumada para o baile de sua formatura, ao final daquele ano. Não estaria presente no seu casamento, nem quando seu primeiro filho nascesse. As lágrimas corriam abundantes pela sua face. Acima de tudo, chorava porque finalmente compreendia a história que haviam lhe contado: de como a avó havia se sentido no dia em que ela nascera.
A avó olhara ‘através’ da sua aparência, enxergara ‘lá dentro’, e vira uma vida. Então, lentamente, Jéssica soltou a mão da avó e enxugou as lágrimas que molhavam o seu rosto. Ficou de pé, inclinou-se para a frente e a beijou. Num sussurro, disse para a avó: “linda!”.

O amor... não é invejoso;
o amor não se vangloria, não se ensoberbece...
não busca os seus próprios interesses...
não suspeita mal;
não se regozija com a injustiça,
mas se regozija com a verdade;
tudo sofre, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais acaba.

Porque agora vemos como por espelho, em enigma,
mas então veremos face a face;
agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente,
como também sou plenamente conhecido.

Agora, pois, permanecem
a fé, a esperança, o amor, estes três;
mas o maior destes é o amor.

(I Corintios 13)

 

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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A Bailarina


Desde pequena Svetlana só tinha conhecido uma paixão: dançar e sonhar em ser uma Gran Ballerina do Bolshoi Ballet. Seus pais haviam desistido de lhe exigir empenho em qualquer outra atividade. Os rapazes já haviam se resignado: o coração de Svetlana tinha lugar para somente uma paixão e tudo mais era sacrificado pelo dia em que se tornaria a Bailarina do Bolshoi. Haviam criado um apelido especial para ela : lankina que no antigo dialeto queria dizer "a que flutua". Era uma forma carinhosa de brincar com a bela e talentosa Svetlana pois a palavra também podia significar "a que divaga", ou "que sonha acordada".
Um dia, Svetlana teve sua grande chance. Conseguira uma audiência com Sergei Davidovitch, Ballet Master do Bolshoi, que estava selecionando aspirantes para a Companhia. Dançou como se fosse seu último dia na Terra. Colocou tudo que sentia e que aprendera em cada movimento, como se uma vida inteira pudesse ser contada em um único compasso. Ao final, aproximou-se do Ballet Master e lhe perguntou:
"Então, o Sr. acha que eu posso me tornar uma Gran Ballerina?"
Na longa viagem de volta a sua aldeia, Svetlana, em meio as lagrimas, imaginou que nunca mais aquele "Não" deixaria de reverberar em sua mente. Meses se passaram até que pudesse novamente calçar uma sapatilha . Ou fazer seu alongamento frente ao espelho.

Dez anos mais tarde Svetlana, já uma estimada professora de ballet, criou coragem de ir a performance anual do Bolshoi em sua região. Sentou-se bem a frente e notou que o Sr. Davidovitch ainda era o Ballet Master. Após o concerto, aproximou-se do cavalheiro e lhe contou o quanto ela queria ter sido bailarina do Bolshoi e quanto doera, anos atrás, ouvir-lhe dizer que não seria capaz.
"Mas minha filha, eu digo isso a todas as aspirantes" respondeu o Sr. Davidovitch. "Como o Sr. poderia cometer uma injustiça dessas? Eu dediquei toda minha vida! Todos diziam que eu tinha o dom. Eu poderia ter sido uma Gran Ballerina se não fosse o descaso com que o Sr. me avaliou!"
Havia solidariedade e compreensão na voz do Master, mas não hesitou ao responder: "Perdoe-me, minha filha, mas você nunca poderia ter sido grande o suficiente, se você foi capaz de abandonar seu sonho pela opinião de outra pessoa."


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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A Carteira

(UMA HISTÓRIA DE PAIXÃO VERDADEIRA)

Eu retornava para casa, em um dia muito frio, quando tropecei em uma carteira.

Procurei por ‘algum meio’ de identificar o dono. Mas a carteira só continha três dólares e uma carta amassada, que parecia ter ficado ali por muitos anos. No envelope, muito sujo, a única coisa legível era o endereço do remetente. Comecei a ler a carta tentando achar alguma dica. Então eu vi pelo cabeçalho que ela tinha sido escrita há quase sessenta anos atrás. A letra era bonita e feminina, em tinta azul claro, e no canto esquerdo do papel havia uma flor. A carta dizia que sua mãe a havia proibido de se encontrar com Michael mas ela escrevia a carta para dizer que sempre o amaria. Assinado... Hannah.
Era uma carta bonita, mas não havia nenhum modo, com exceção do nome Michael, de identificar o dono. Entrei em contato com a companhia telefônica, expliquei o problema ao operador e lhe pedi o número do telefone no endereço que havia no envelope. O operador disse que havia um telefone mas não poderia me dar o número. Por sua própria sugestão, entrou em contato com o número, explicou a situação e fez uma conexão daquele telefone comigo. Eu perguntei à senhora do outro lado, se ela conhecia alguém chamada Hannah. Ela ofegou e respondeu:
_ "Oh! Nós compramos esta casa de uma família que tinha uma filha chamada Hannah. Mas isto foi há 30 anos!"
_ "E você saberia onde aquela família pode ser localizada agora?", eu perguntei.
_ "Do que me lembro, aquela Hannah teve que colocar sua mãe em um asilo alguns anos atrás", disse a mulher. "Talvez se você entrar em contato eles possam informar".
Ela me deu o nome do asilo e eu liguei. Eles me contaram que a velha senhora tinha falecido alguns anos atrás, mas eles tinham um número de telefone onde acreditavam que a filha poderia estar vivendo. Eu lhes agradeci e telefonei. A mulher que respondeu explicou que aquela Hannah estava morando agora em um asilo. A coisa toda começa a parecer estúpida, pensei comigo mesmo. Para que estava fazendo aquele movimento todo só para achar o dono de uma carteira que tinha apenas três dólares e uma carta com quase 60 anos? Apesar disso, liguei para o asilo no qual era suposto que Hannah estava vivendo e o homem que atendeu me falou:
_ "Sim, a Hannah está morando conosco."
Embora já passasse das 10 da noite, eu perguntei se poderia ir para vê-la.
_ "Bem", ele disse hesitante, "se você quiser se arriscar, ela poderá estar na sala assistindo a televisão".
Eu agradeci e corri para o asilo. A enfermeira noturna e um guarda me cumprimentaram à porta. Fomos até o terceiro andar. Na sala, a enfermeira me apresentou a Hannah. Era uma doçura, cabelo prateado com um sorriso calmo e um brilho no olhar. Falei a ela sobre a carteira e mostrei-lhe a carta. Assim que viu o papel de carta com aquela pequena flor à esquerda, ela respirou fundo e disse:
_ "Esta carta foi o último contato que tive com Michael."
Ela pausou um momento em pensamento e então disse suavemente:
_ "Eu o amei muito. Mas na ocasião eu tinha só 16 anos e minha mãe achava que eu era muito jovem. Oh, ele era tão bonito... Ele se parecia com Sean Connery, o ator."
_ "Sim", ela continuou, "Michael Goldstein era uma pessoa maravilhosa. Se você o achar, lhe fale que eu penso freqüentemente nele. E..." ela hesitou por um momento, e quase mordendo o lábio, " fale para ele que eu ainda o amo. Você sabe...", ela disse sorrindo com lágrimas que começaram a rolar em seus olhos, "eu nunca me casei. Eu jamais encontrei alguém que correspondesse ao Michael."


Eu agradeci a Hannah e disse adeus. Quando passava pela porta da saída, o guarda perguntou:
_ "A velha senhora conseguiu lhe ajudar?"
_ "Pelo menos agora eu tenho um sobrenome. Mas eu acho que vou deixar isto para depois. Eu passei quase o dia inteiro tentando achar o dono desta carteira".
Quando o guarda viu a carteira, ele disse:
_ "Ei, espere um minuto! Isto é a carteira do Sr. Goldstein. Eu a reconheceria em qualquer lugar. Ele está sempre perdendo a carteira. Eu devo tê-la achado pelos corredores ao menos três vezes."
_ "Quem é Sr. Goldstein?", eu perguntei com minha mão começando a tremer.
_ "Ele é um dos idosos do oitavo andar. Isso é a carteira de Mike Goldstein, sem dúvida. Ele deve ter perdido em um de seus passeios."
Agradeci o guarda, corri ao escritório da enfermeira e lhe falei sobre o que o guarda tinha dito. Nós voltamos para o elevador e subimos. No oitavo andar, a enfermeira disse:
_ "Acho que ele ainda está acordado. Ele gosta de ler à noite. Ele é um homem bem velho."
Fomos até o único quarto que ainda tinha luz e havia um homem lendo um livro. A enfermeira foi até ele e perguntou se ele tinha perdido a carteira. O Sr. Goldstein olhou com surpresa, pondo a mão no bolso de trás e disse:
_ "Oh, está perdida!"
_ "Este amável cavalheiro achou uma carteira e nós queremos saber se é sua?"
Entreguei a carteira ao Sr. Goldstein, ele sorriu com alívio e disse:
_ "Sim, é minha! Devo ter derrubado hoje a tarde. Eu quero lhe dar uma recompensa."
_ "Não, obrigado", eu disse. "Mas eu tenho que lhe contar algo. Eu li a carta na esperança de descobrir o dono da carteira".
O sorriso em seu rosto desapareceu de repente.
_ "Você leu a carta?"
_ "Não só li, como eu acho que sei onde a Hannah está".
Ele ficou pálido de repente.
_ "Hannah? Você sabe onde ela está? Como ela está? É ainda tão bonita quanto era? Por favor, por favor me fale", ele implorou.
_ "Ela está bem... É bonita da mesma maneira como quando o senhor a conheceu", eu disse suavemente.
O homem sorriu e perguntou:
_ "Você pode me falar onde ela está? Quero chamá-la amanhã mesmo." Ele agarrou minha mão e disse: "Eu estava tão apaixonado por aquela menina que quando aquela carta chegou, minha vida literalmente terminou. Eu nunca me casei. Eu sempre a amei."
_ "Sr. Goldstein", eu disse, "Venha comigo."
Fomos de elevador até o terceiro andar. Atravessamos o corredor até a sala onde Hannah estava assistindo televisão. A enfermeira caminhou até ela, "Hannah..." ela disse suavemente, enquanto apontava para Michael que estava esperando comigo na entrada.
_ "...Você conhece este homem?"
Ela ajeitou os óculos, olhou por um momento, mas não disse uma palavra.
Michael disse suavemente, quase em um sussurro:
_"Hannah, é o Michael. Lembra-se de mim?"
_ "Michael! Eu não acredito nisto! Michael! É você! Meu Michael!"
Ele caminhou lentamente até ela e se abraçaram. A enfermeira e eu partimos com lágrimas rolando em nossas faces.
_ "Veja...", eu disse. "...Veja como o bom Deus trabalha! Se tem que ser, será!".
Aproximadamente três semanas depois eu recebi uma chamada do asilo em meu escritório.
_ "Você pode vir no domingo para assistir a um casamento? O Michael e Hannah vão se amarrar"!
Foi um casamento bonito, com todas as pessoas do asilo devidamente vestidos para a celebração. Hannah usou um vestido bege claro e bonito. Michael usou um terno azul escuro. O hospital lhes deu o próprio quarto e se você sempre quis ver uma noiva com 76 anos e um noivo com 79 anos agindo como dois adolescentes, você tinha que ver este par. Um final perfeito para um caso de amor que tinha durado quase 60 anos.

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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À Distância de uma Oração

“De maneira alguma te deixarei,
nunca jamais te abandonarei"
(Hebreus 13:5).


Se você colocar um falcão em um cercado de um metro quadrado e inteiramente aberto por cima, o pássaro, apesar de sua habilidade para o vôo, será um prisioneiro. A razão é que um falcão sempre começa seu vôo com uma pequena corrida em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá um prisioneiro pelo resto da vida, nessa pequena cadeia sem teto.

O morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado. Se for colocado em um piso complemente plano, tudo que ele conseguirá fazer é andar de forma confusa, dolorosa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar. Um zangão, se cair em um pote aberto, ficará lá até morrer ou ser removido. Ele não vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará uma maneira de sair onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente, de tanto atirar-se contra o fundo do vidro.
Existem pessoas como o falcão, o morcego e o zangão: atiram-se obstinadamente contra os obstáculos, sem perceber que a saída está logo acima. Se você está como um zangão, um morcego ou um falcão, cercado de problemas por todos os lados, olhe para cima!
E lá estará DEUS, pronto para ajudar, à distância apenas de uma oração...

“Busquei ao Senhor, e ele me respondeu,
e de todos os meus temores me livrou.

Olhai para ele, e sede iluminados;
e os vossos rostos jamais serão confundidos.

Clamou este pobre, e o Senhor o ouviu,
e o livrou de todas as suas angústias.

O anjo do Senhor acampa-se
ao redor dos que o respeitam, e os livra.

Provai, e vede que o Senhor é bom
bem-aventurado o homem que nele se refugia.

Respeitai ao Senhor, vós, seus santos,
porque nada falta aos que o respeitam.

Os leõezinhos necessitam e sofrem fome,
mas àqueles que buscam ao Senhor,
bem algum lhes faltará.

Vinde, filhos, ouvi-me;
eu vos ensinarei o respeito do Senhor”

(Salmos 34:4-11).

 

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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A Fé Remove Montanhas

"Ao que Jesus lhes disse:
Tende fé em Deus;
porque em verdade vos afirmo que,
se alguém disser a este monte:
Ergue-te e lança-te no mar,
e não duvidar no seu coração,
mas crer que se fará o que diz,
assim será com ele.
Por isso, vos digo
que tudo quanto em oração pedirdes,
crede que recebestes,
e será assim convosco"
(Mc 11.22-24).

Os membros de uma pequena igreja nas montanhas de Great Smoky (EUA) construíram um novo prédio em um terreno que haviam recebido por doação. Dez dias antes da inauguração, o inspetor de obras da localidade informou ao pastor que o estacionamento era insuficiente para o tamanho do prédio. Se a igreja não dobrasse o tamanho do estacionamento, não poderia usar o salão. Infelizmente, a igreja já havia ocupado cada polegada do escasso terreno, com exceção da colina que ficava atrás do prédio. Para criar mais vagas no estacionamento, seria necessário remover a colina.
Na manhã do domingo seguinte o pastor anunciou corajosamente que de tardezinha queria reunir-se com todos os membros da igreja que tivessem "fé para remover montanhas". Eles fariam uma corrente de oração para pedir a Deus que removesse a colina e providenciasse o dinheiro suficiente para asfaltar o estacionamento antes da inauguração no domingo seguinte.

No horário combinado reuniram-se para orar 24 dos 300 membros da igreja. Eles oraram no topo da colina durante várias horas. Às 22 horas o pastor disse o último "Amém". "Conforme está planejado, inauguraremos o salão no próximo domingo", garantiu ele. "Deus nunca nos abandonou, e creio que também desta vez Ele será fiel".
Na manhã seguinte, quando estava trabalhando em seu gabinete, alguém bateu com força na porta. Ao responder "entre!", apareceu um empreiteiro de aspecto rude, que tirou seu capacete. "Desculpe, pastor, sou da empreiteira de obras da localidade vizinha. Estamos construindo um enorme centro de compras e precisamos de terra. O senhor estaria disposto a nos vender uma parte da colina que fica atrás da igreja? Nós pagaremos a terra que tirarmos e asfaltaremos gratuitamente o espaço vazio, desde que possamos dispor da terra imediatamente. Não podemos continuar com a construção do shopping antes que a terra esteja depositada no local e suficientemente compactada".
O novo salão foi inaugurado no domingo seguinte como tinha sido planejado, e no evento de abertura estavam presentes muito mais membros "com fé para remover montanhas" do que na semana anterior.

Seja sincero:

Você teria participado daquela reunião de oração?
Algumas pessoas dizem que a fé é produzida pelos milagres.
Mas outras sabem: milagres resultam da fé!


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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A Formiga Carregadeira

Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua benignidade, para os livrar da morte, e para os conservar vivos na fome. A nossa alma espera no Senhor; ele é o nosso auxílio e o nosso escudo. Pois nele se alegra o nosso coração, porquanto temos confiado no seu santo nome. Seja a tua benignidade, Senhor, sobre nós, assim como em ti esperamos. (Salmos 33, 18-22)

Quando criança, costumava brincar de esconde-esconde com meus amigos da vizinhança. No entanto, eu nunca tinha paciência suficiente para ficar escondido por muito tempo em algum canto, esperando que me achassem. Logo cansava, revelando-me, e (é claro!), sendo perdedor na brincadeira.

Uma vez, porém, escondi-me entre uma árvore e um muro. Foi quando percebi a presença de uma pequena formiga, que insistentemente tentava escalar o muro, carregando com ela um pedaço de folha que era muito maior que seu próprio corpo.

Comecei então a contar quantas vezes ela caía, voltava ao ponto inicial, pegava a folha novamente e, então, retomava sua escalada. Foram setenta e sete vezes até que ela, finalmente, chegou com a folha no topo do muro. Nunca mais esqueci aquela cena, que, além de me ensinar muito sobre o valor da persistência, fez-me ganhar no esconde-esconde pela primeira vez (e fiquei tão bom naquela brincadeira que, em pouco tempo, ninguém mais queria brincar daquilo comigo!).
Hoje, adulto, percebo que é a perseverança que revela a fé genuína. A Bíblia diz que “aquele que perseverar até o fim, esse será salvo” (Marcos 13, 13). E Jesus nos ensina que “devemos orar sempre, sem esmorecer” (Lucas 18, 1).

Agora, leia este parágrafo com a maior atenção: a oração que toma como motivo para desânimo o fato de preces passadas não terem sido atendidas, já deixou de ser uma oração de fé. Para uma real oração de fé, a ausência de resposta é somente uma evidência de que o momento dessa resposta está muito mais próximo.
Ficou entendido? São Mateus sintetiza isso da seguinte maneira: “pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á.” (Mateus 7, 7). Se o Senhor está nos fazendo esperar, devemos mencionar o assunto a Ele outra vez, mas façamo-lo sempre como alguém que está crendo. Devemos “orar sem cessar” (1 Tessalonicenses 5, 17), de tal modo a nunca perdermos a fé, mas crescermos na fé; e “devemos sempre dar graças por tudo a Deus, nosso Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Efésios 5, 20), pois Ele é o Criador de tudo e de todos, e através do Espírito Santo, que é o Consolador, jamais falha. Como diz a Bíblia, “espera no Senhor, anima-te e Ele fortalecerá o teu coração” (Salmos 27, 14). O verdadeiro poder da oração vem daquele que persevera, que insiste na petição e a renova a todo instante, tomando forças a partir da sua oração anterior.
Oração e perseverança devem estar sempre juntas; e louvor a Deus, sempre presente. Orar é como fazer algum esporte: se um atleta passa um único dia sem praticar, já nota a diferença. A perfeição só vem através do exercício permanente. Se um nadador deixar de praticar, sabemos qual será o resultado.
Devemos exercer nossa prática religiosa com o mesmo espírito dos esportistas, e seguindo o belo exemplo da formiga carregadeira: Só assim caminharemos para a perfeição, e só assim começaremos a vencer, pois àqueles que perseveram, Deus lhes promete vitória
(veja Filipenses 3, 13-14).

Texto escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
em 8 de janeiro de 2004

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A Gaiola de Ouro

Todas as manhãs o rei acordava e tomava café da manhã em sua varanda. A partir de certa ocasião, o rei passou a perceber a presença de um belo e colorido pássaro que parecia esperá-lo, todas as manhãs, para começar o seu canto magistral.

Numa das manhãs, o rei decidiu perguntar ao pássaro se ele desejava possuir uma gaiola. O rei lhe disse que seria uma gaiola enorme e feita de ouro; e que ele ordenaria para que todos os dias ela fosse totalmente limpa, tivesse a água e os alimentos trocados e que, se houvesse sol excessivo, que ela fosse coberta.
O rei ainda ressaltou ao pássaro que, com a gaiola, ele nunca mais teria que buscar seus alimentos ou defender-se das aves maiores, pois ali estaria totalmente protegido e seguro. Além disso, muitas pessoas passariam diariamente pela gaiola e poderiam apreciar o colorido de suas penas e a beleza do seu canto. O pássaro ficava claramente entusiasmado à medida que o rei descrevia como a vida seria melhor com a gaiola que estava sendo imaginada. Num determinado instante, porém, o rei percebeu que o pássaro virou sua cabeça em direção a uma outra ave, que se encontrava no galho de uma árvore próxima e parecia ter acompanhado toda a conversa, quando o pássaro disse:
_ “Mamãe, o que a senhora acha? Aceito a proposta do rei?”.
A outra ave sorriu e balançou a cabeça, como que concordando com o que ouvira. Imediatamente, o pássaro aceitou a proposta do rei e, em dois dias, uma grande gaiola já estava construída, onde o pássaro passou a habitar. Tudo estava maravilhoso, exatamente como o rei havia descrito!
Passados alguns meses, entretanto, o pássaro passou a ficar ansioso. Na verdade não queria mais ficar ali, limitado àquelas grades. Tinha comida e água a vontade, bem como o carinho dos funcionários, dos visitantes e, em especial, do simpático e afetuoso rei. Porém, decididamente não se encontrava satisfeito e estava aos poucos perdendo a disposição e a alegria de viver, que antes possuía. Em pouco tempo deixou de cantar e já não se alimentava direito. Passou então a pensar em sair dali de alguma maneira. Ele poderia falar com o rei, mas ficou receoso de que ele se entristecesse e não o permitisse sair. Imaginou contar para sua mãe, que habitualmente pousava em uma árvore próxima, mas ficou com medo da reação dela, que parecia sentir-se orgulhosa pelas benesses que seu filho recebia na gaiola. Naquela noite, o pássaro ficou muito triste e deprimido. Lágrimas caíam de seus olhinhos e ele caminhava de um lado para o outro da gaiola, mostrando-se inconsolável.
Quando o dia amanheceu, ele estava muito cansado, verdadeiramente esgotado pela terrível noite por que passara. Encostou-se então no canto da gaiola, quando percebeu que algo se moveu atrás dele. Olhou então para trás e notou que a porta da gaiola estava aberta. Observando-a melhor, logo se deu conta de que nunca houve trava alguma que a impedisse de ser aberta. A sua liberdade, portanto, sempre esteve ali, dependendo somente... Dele mesmo!

O “mundo” está sempre nos seduzindo com “gaiolas de ouro”
e querendo nos convencer de que a nossa felicidade depende delas.

Muitas vezes acabamos aceitando essas “provocações”,
para depois percebermos que realizou-se justamente o oposto:

Tornamo-nos cada vez mais aprisionados e comprometidos
com aquilo que o “mundo” achou que era melhor para nós
e que acabamos priorizando, ao invés de focarmos
na suficiência das graças e dons e provindos do Criador.

Peçamos que, a exemplo do filho pródigo,
possamos ter a humidade do arrependimento,
para retornarmos ao Pai, pela Sua misericórdia,
e por intermédio das mãos santas de Seu filho, Jesus,
o qual assim nos disse:

“Eu não vim para condenar o mundo,
mas para salvá-lo”
(João 12, 47).


Texto escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
em dezembro de 2005.

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A Inocência


Lisete Maria, uma linda menininha, vai e volta diariamente de sua escola, caminhando.

Em uma determinada manhã, apesar de nuvens negras estarem rapidamente se formando no céu, Lisete Maria inicia seu caminho diário para a escola, como de costume.

Mas, muito rapidamente o vento aumentou, e de forma assustadora, vindo junto com ele fortes raios e trovões.

 

Ao perceber isso, sua mãe imaginou que a menininha poderia ter muito medo de caminhar sob aquele mau tempo, e preocupada com isso, tratou de pegar rapidamente seu carro, para apanhar Lisete Maria em seu caminho à escola.

Logo ela avistou sua filhinha andando, com uma toalha em volta de sua cabeça; mas percebeu que, a cada relâmpago, a criança parava, olhava calmamente para cima e... SORRIA!

 

Mais e mais trovões vieram, e ela de novo parava, olhava para cima, e em seguida... sorria!

Finalmente, a menininha entrou no carro e a mãe, curiosa, logo perguntou:

- “O que você estava fazendo, minha filha?”

Ao que a garotinha calmamente respondeu:

- “Sorrindo, mamãe, pois hoje Deus não pára de tirar fotos minhas!”

 

Roguemos ao Pai para que Ele permita com
que toda inocência floresça em nossos corações
para podermos perceber a bela e real felicidade
que é encontrada nos momentos
de maior simplicidade.

 

“BEM-AVENTURADOS OS HUMILDES DE ESPÍRITO,
PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS”
- Jesus Cristo (Mt 5, 3).

“BEM-AVENTURADOS OS LIMPOS DE CORAÇÃO,
PORQUE VERÃO A DEUS”
- Jesus Cristo (Mt 5, 8).

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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A Jóia deVerdade

Esperando na fila do caixa, a alegre menininha de cachinhos dourados e quase cinco anos de idade viu algo que lhe chamou a atenção: um reluzente colarzinho de pérolas em uma caixa cor de rosa metálico.

- Compra pra mim, mamãe? Por favor, mamãe, por favor!

Rapidamente a mãe virou a caixa para ver o preço, e olhando para os olhinhos azuis que a fitavam como que rogando pelo presente, declarou:

- Custa um dólar e noventa e cinco centavos. Quase dois dólares...

- Se você realmente quer esse colar, vou arranjar uns servicinhos a mais que você possa fazer e logo logo terá essa quantia. O seu aniversário é daqui a uma semana, e quem sabe se a vovó não vai lhe dar uma nota novinha de um dólar?

 

Assim que chegou em casa, Jane esvaziou o cofrinho e contou 17 cents. Depois do jantar foi muito prestativa, fazendo mais do que suas obrigações. Foi à casa da vizinha, dona Mariana, e perguntou se poderia arrancar as ervas-daninhas da grama por dez cents. No dia do seu aniversário, a avó lhe deu uma outra nota de um dólar, e ela finalmente tinha o dinheiro para comprar o colar. Jane adorava as suas pérolas, e quando as usava sentia-se uma mocinha. Não as tirava do pescoço. Ia com elas para todos os cantos: à igreja, à escola, até dormia com o colar! Só o tirava quando ia nadar ou tomar um banho de espuma, porque a mãe lhe dizia que se molhassem, talvez manchassem o seu pescoço de verde.

O pai de Jane era bem amoroso e todas as noites, antes de ela ir dormir, ele parava o que estava fazendo e subia até o quarto para ler-lhe uma história. Uma noite, depois que ele terminou, perguntou a Jane:

- Você me ama?

- Claro que amo, papai. Você sabe que eu amo o senhor.

- Então me dá as suas pérolas?

- Mas papai... minhas pérolas não. O senhor pode ficar com a Princesa, o cavalinho branco da minha coleção. Aquele que tem o rabo cor de rosa. Lembra, papai? Foi o senhor quem me deu. É o que mais gosto.

- Tudo bem, querida. O papai te ama. Boa noite! E com um beijo em seu rostinho, despediu-se.

Mais ou menos uma semana mais tarde, depois da historinha, o pai voltou a lhe perguntar:

- Jane, você me ama?

- Papai, o senhor sabe que te amo.

- Então me dá as suas pérolas?

- Ah, papai, o meu colar não. Mas eu te dou a minha bonequinha. Aquela novinha que ganhei de aniversário. Ela é linda e te dou também o cobertorzinho amarelo que combina com o chinelinho dela.

- Tudo bem. Durma bem! Deus te abençoe, minha querida. O papai te ama!

E, como sempre, deu-lhe um beijinho no rosto. Algumas noites depois, quando o pai entrou no quarto, Jane estava sentada na cama com as pernas cruzadas, como um índio... Ao se aproximar reparou seu queixo tremendo e uma lágrima rolando pela face.

- O que foi, Jane? O que aconteceu?

Jane não disse nada, só estendeu a mãozinha para o pai, e quando a abriu ali estava o tão amado colar. Um pouco trêmula, ela conseguiu dizer:

- É para o senhor, papai!

Contendo as lágrimas, o gentil pai, com uma mão pegou o colar barato, enquanto com a outra tirava do bolso uma caixinha de veludo azul onde se encontrava um colar de pérolas verdadeiras, que guardara todo esse tempo para dar à filha. Só estava esperando até ela estar disposta a abrir mão do colar barato para poder lhe dar uma jóia de verdade.

Bem semelhante à maneira como
o nosso Pai celestial age conosco.
Existe algo do qual você
não quer se desapegar?

Não juntem riquezas neste mundo,
onde as traças e a ferrugem destroem,
onde os ladrões arrombam e roubam.

Ao contrário, juntem riquezas no céu
onde as traças e a ferrugem não podem destruí-las
e os ladrões não podem arrombar e roubá-las.
Pois onde estiverem as suas riquezas,
aí estará o coração de vocês.
- Jesus de Nazaré
(Mt 6:19-21).


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido
.

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A Linha Mágica


Era uma vez uma viúva que tinha um filho chamado Pedro. O menino era forte e são, mas não gostava de ir à escola e passava o tempo todo sonhando acordado.

 

- Pedro, com o que você está sonhando a uma hora destas? - perguntava-lhe a professora.

- Estava pensando no que serei quando crescer - respondia ele.

- Seja paciente. Há muito tempo para pensar nisso. Depois de crescido, nem tudo é divertimento, sabe? - dizia ela.

Mas Pedro tinha dificuldades para apreciar qualquer coisa que estivesse fazendo no momento, e ansiava sempre pela próxima. No inverno, ansiava pelo retorno do verão; e no verão, sonhava com passeios de esqui e trenó, e com as fogueiras acesas durante o inverno. Na escola, ansiava pelo fim do dia, quando poderia voltar para casa; e nas noites de domingo, suspirava dizendo: "Se as férias chegassem logo!" O que mais o entretinha era brincar com a amiga Lise. Era companheira tão boa quanto qualquer menino, e a ansiedade de Pedro não a afetava, ela não se ofendia. "Quando crescer, vou casar-me com ela", dizia Pedro consigo mesmo.

Costumava perder-se em caminhadas pela floresta, sonhando com o futuro. Às vezes, deitava-se ao sol sobre o chão macio, com as mãos postas sob a cabeça, e ficava olhando o céu através das copas altas das árvores. Uma tarde quente, quando estava quase caindo no sono, ouviu alguém chamando por ele. Abriu os olhos e sentou-se. Viu uma mulher idosa em pé à sua frente. Ela trazia na mão uma bola prateada, da qual pendia uma linha de seda dourada.

- Olhe o que tenho aqui, Pedro - disse ela, oferecendo-lhe o objeto.

- O que é isso? - perguntou, curioso, tocando a fina linha dourada.

- É a linha da sua vida - retrucou a mulher. - Não toque nela e o tempo passará normalmente. Mas se desejar que o tempo ande mais rápido, basta dar um leve puxão na linha e uma hora passará como se fosse um segundo. Mas devo avisá-lo: uma vez que a linha tenha sido puxada, não poderá ser colocada de volta dentro da bola. Ela desaparecerá como uma nuvem de fumaça. A bola é sua. Mas se aceitar meu presente, não conte para ninguém; senão, morrerá no mesmo dia. Agora diga, quer ficar com ela?

Pedro tomou-lhe das mãos o presente, satisfeito. Era exatamente o que queria. Examinou-a. Era leve e sólida, feita de uma peça só. Havia apenas um furo de onde saía a linha brilhante. O menino colocou-a no bolso e foi correndo para casa. Lá chegando, depois de certificar-se da ausência da mãe, examinou-a outra vez. A linha parecia sair lentamente de dentro da bola, tão devagar que era difícil perceber o movimento a olho nu. Sentiu vontade de dar-lhe um rápido puxão, mas não teve coragem. Ainda não.

No dia seguinte na escola, Pedro imaginava o que fazer com sua linha mágica. A professora o repreendeu por não se concentrar nos deveres. "Se ao menos", pensou ele, "fosse a hora de ir para casa!" Tateou a bola prateada no bolso. Se desse apenas um pequeno puxão, logo o dia chegaria ao fim. Cuidadosamente, pegou a linha e puxou. De repente, a professora mandou que todos arrumassem suas coisas e fossem embora, organizadamente. Pedro ficou maravilhado. Correu sem parar até chegar em casa. Como a vida seria fácil agora! Todos seus problemas haviam terminado. Dali em diante, passou a puxar a linha, só um pouco, todos os dias.

Entretanto, logo apercebeu-se que era tolice puxar a linha apenas um pouco todos os dias. Se desse um puxão mais forte, o período escolar estaria concluído de uma vez. Ora, poderia aprender uma profissão e casar-se com Lise. Naquela noite, então, deu um forte puxão na linha, e acordou na manhã seguinte como aprendiz de um carpinteiro da cidade. Pedro adorou sua nova vida, subindo em telhados e andaimes, erguendo e colocando a marteladas enormes vigas que ainda exalavam o perfume da floresta. Mas às vezes, quando o dia do pagamento demorava a chegar, dava um pequeno puxão na linha e logo a semana terminava, já era a noite de sexta-feira e ele tinha dinheiro no bolso.

Lise também se mudara para a cidade e morava com a tia, que lhe ensinava os afazeres do lar. Pedro começou a ficar impaciente acerca do dia em que se casariam. Era difícil viver tão perto e tão longe dela, ao mesmo tempo. Perguntou-lhe, então, quando poderiam se casar.

- No próximo ano - disse ela. - Eu já terei aprendido a ser uma boa esposa.

Pedro tocou com os dedos a bola prateada no bolso.

- Ora, o tempo vai passar bem rápido - disse, com muita certeza.

Naquela noite, não conseguiu dormir. Passou o tempo todo agitado, virando de um lado para outro na cama. Tirou a bola mágica que estava debaixo do travesseiro. Hesitou um instante; logo a impaciência o dominou, e ele puxou a linha dourada. Pela manhã, descobriu que o ano já havia passado e que Lise concordara afinal com o casamento. Pedro sentiu-se realmente feliz.

Mas antes que o casamento pudesse realizar-se, recebeu uma carta com aspecto de documento oficial. Abriu-a, trêmulo, e leu a noticia de que deveria apresentar-se ao quartel do exército na semana seguinte para servir por dois anos. Mostrou-a, desesperado, para Lise.

- Ora - disse ela -, não há o que temer, basta-nos esperar. Mas o tempo passará rápido, você vai ver. Há tanto o que preparar para nossa vida a dois!

Pedro sorriu com galhardia, mas sabia que dois anos durariam uma eternidade para passar.

Quando já se acostumara à vida no quartel, entretanto, começou a achar que não era tão ruim assim. Gostava de estar com os outros rapazes, e as tarefas não eram tão árduas a princípio. Lembrou-se da mulher aconselhando-o a usar a linha mágica com sabedoria e evitou usá-la por algum tempo. Mas logo tornou a sentir-se irrequieto. A vida no exército o entediava com tarefas de rotina e rígida disciplina. Começou a puxar a linha para acelerar o andamento da semana a fim de que chegasse logo o domingo, ou o dia da sua folga. E assim se passaram os dois anos, como se fosse um sonho.

Terminado o serviço militar, Pedro decidiu não mais puxar a linha, exceto por uma necessidade absoluta. Afinal, era a melhor época da sua vida, conforme todos lhe diziam. Não queria que acabasse tão rápido assim. Mas ele deu um ou dois pequenos puxões na linha, só para antecipar um pouco o dia do casamento. Tinha muita vontade de contar para Lise seu segredo; mas sabia que se contasse, morreria.

No dia do casamento, todos estavam felizes, inclusive Pedro. Ele mal podia esperar para mostrar-lhe a casa que construíra para ela. Durante a festa, lançou um rápido olhar para a mãe. Percebeu, pela primeira vez, que o cabelo dela estava ficando grisalho. Envelhecera rapidamente. Pedro sentiu uma pontada de culpa por ter puxado a linha com tanta freqüência. Dali em diante, seria muito mais parcimonioso com seu uso, e sé a puxaria se fosse estritamente necessário.

Alguns meses mais tarde, Lise anunciou que estava esperando um filho. Pedro ficou entusiasmadíssimo, e mal podia esperar. Quando o bebê nasceu, ele achou que não iria querer mais nada na vida. Mas sempre que o bebê adoecia ou passava uma noite em claro chorando, ele puxava a linha um pouquinho para que o bebê tornasse a ficar saudável e alegre.

Os tempos andavam difíceis. Os negócios iam mal e chegara ao poder um governo que mantinha o povo sob forte arrocho e pesados impostos, e não tolerava oposição. Quem quer que fosse tido como agitador era preso sem julgamento, e um simples boato bastava para se condenar um homem. Pedro sempre fora conhecido por dizer o que pensava, e logo foi preso e jogado numa cadeia. Por sorte, trazia a bola mágica consigo e deu um forte puxão na linha. As paredes da prisão se dissolveram diante dos seus olhos e os inimigos foram arremessados à distância numa enorme explosão. Era a guerra que se insinuava, mas que logo acabou, como uma tempestade de verão, deixando o rastro de uma paz exaurida. Pedro viu-se de volta ao lar com a família. Mas era agora um homem de meia-idade.

Durante algum tempo, a vida correu sem percalços, e Pedro sentia-se relativamente satisfeito. Um dia, olhou para a bola mágica e surpreendeu-se ao ver que a linha passara da cor dourada para a prateada. Foi olhar-se no espelho. Seu cabelo começava a ficar grisalho e seu rosto apresentava rugas onde nem se podia imaginá-las. Sentiu um medo súbito e decidiu usar a linha com mais cuidado ainda do que antes. Lise dera-lhe outros filhos e ele parecia feliz como chefe da família que crescia. Seu modo imponente de ser fazia as pessoas pensarem que ele era algum tipo de déspota benevolente. Possuía um ar de autoridade como se tivesse nas mãos o destino de todos. Mantinha a bola mágica bem escondida, resguardada dos olhos curiosos dos filhos, sabendo que se alguém a descobrisse, seria fatal.

Cada vez tinha mais filhos, de modo que a casa foi ficando muito cheia de gente. Precisava ampliá-la, mas não contava com o dinheiro necessário para a obra. Tinha outras preocupações, também. A mãe estava ficando idosa e parecia mais cansada com o passar dos dias. Não adiantava puxar a linha da bola mágica, pois isto sé aceleraria a chegada da morte para ela. De repente, ela faleceu, e Pedro, parado diante do túmulo, pensou como a vida passara tão rápido, mesmo sem fazer uso da linha mágica.

Uma noite, deitado na cama, sem conseguir dormir, pensando nas suas preocupações, achou que a vida seria bem melhor se todos os filhos já estivessem crescidos e com carreiras encaminhadas. Deu um fortíssimo puxão na linha, e acordou no dia seguinte vendo que os filhos já não estavam mais em casa, pois tinham arranjado empregos em diferentes cantos do país, e que ele e a mulher estavam sós. Seu cabelo estava quase todo branco e doíam-lhe as costas e as pernas quando subia uma escada ou os braços quando levantava uma viga mais pesada. Lise também envelhecera, e estava quase sempre doente. Ele não agüentava vê-la sofrer, de tal forma que lançava mão da linha mágica cada vez mais freqüentemente. Mas bastava ser resolvido um problema, e já outro surgia em seu lugar. Pensou que talvez a vida melhorasse se ele se aposentasse. Assim, não teria que continuar subindo nos edifícios em obras, sujeito a lufadas de vento, e poderia cuidar de Lise sempre que ela adoecesse. O problema era a falta de dinheiro suficiente para sobreviver. Pegou a bola mágica, então, e ficou olhando. Para seu espanto viu que a linha não era mais prateada, mas cinza, e perdera o brilho. Decidiu ir para a floresta dar um passeio e pensar melhor em tudo aquilo.

Já fazia muito tempo que não ia àquela parte da floresta. Os pequenos arbustos haviam crescido, transformando-se em árvores frondosas, e foi difícil encontrar o caminho que costumava percorrer. Acabou chegando a um banco no meio de uma clareira. Sentou-se para descansar e caiu em sono leve. Foi despertado por uma voz que o chamava pelo nome: "Pedro! Pedro!"

Abriu os olhos e viu a mulher que encontrara havia tantos anos e que lhe dera a bola prateada com a linha dourada mágica. Aparentava a mesma idade que tinha no dia em questão, exatamente igual. Ela sorriu para ele.

- E então, Pedro, sua vida foi boa? - perguntou.

- Não estou bem certo - disse ele. - Sua bola mágica é maravilhosa. Jamais tive que suportar qualquer sofrimento ou esperar por qualquer coisa em minha vida. Mas tudo foi tão rápido. Sinto como se não tivesse tido tempo de apreender tudo que se passou comigo; nem as coisas boas, nem as ruins. E agora falta tão pouco tempo! Não ouso mais puxar a linha, pois isto só anteciparia minha morte. Acho que seu presente não me trouxe sorte.

- Mas que falta de gratidão! - disse a mulher. - Como você gostaria que as coisas fossem diferentes?

- Talvez se você tivesse me dado uma outra bola, que eu pudesse puxar a linha para fora e para dentro também. Talvez, então, eu pudesse reviver as coisas ruins.

A mulher riu-se. - Está pedindo muito! Você acha que Deus nos permite viver nossas vidas mais de uma vez? Mas posso conceder-lhe um último desejo, seu tolo exigente.

- Qual? - perguntou ele.

- Escolha - disse ela. Pedro pensou bastante. Depois de um bom tempo, disse: - Eu gostaria de tornar a viver minha vida, como se fosse a primeira vez, mas sem sua bola mágica. Assim poderei experimentar as coisas ruins da mesma forma que as boas sem encurtar sua duração, e pelo menos minha vida não passará tão rápido e não perderá o sentido como um devaneio.

- Assim seja - disse a mulher. - Devolva-me a bola. Ela esticou a mão e Pedro entregou-lhe a bola prateada. Em seguida, ele se recostou e fechou os olhos, exausto.

Quando acordou, estava na cama. Sua jovem mãe se debruçava sobre ele, tentando acordá-lo carinhosamente.

- Acorde, Pedro. Não vá chegar atrasado na escola. Você estava dormindo como uma pedra!

Ele olhou para ela, surpreso e aliviado.

Tive um sonho horrível, mãe. Sonhei que estava velho e doente e que minha vida passara como num piscar de olhos sem que eu sequer tivesse algo para contar. Nem ao menos algumas lembranças.

A mãe riu-se e fez que não com a cabeça.

Isso nunca vai acontecer disse ela. As lembranças são algo que todos temos, mesmo quando velhos. Agora, ande logo, vá se vestir. A Lise está esperando por você, não deixe que se atrase por sua causa.

A caminho da escola em companhia da amiga, ele observou que estavam em pleno verão e que fazia uma linda manhã, uma daquelas em que era ótimo estar vivendo. Em poucos minutos, estariam encontrando os amigos e colegas, e mesmo a perspectiva de enfrentar algumas aulas não parecia tão ruim assim. Na verdade, ele mal podia esperar.


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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A Mala de Viagem

Conta-se uma fábula sobre um homem que caminhava vacilante pela estrada, levando uma pedra numa mão e um tijolo na outra. Nas costas carregava um saco de terra; em volta do peito trazia vinhas penduradas. Sobre a cabeça equilibrava uma abóbora pesada.

Pelo caminho encontrou um transeunte que lhe perguntou: “Cansado viajante, por que carrega essa pedra tão grande?”

“É estranho”, respondeu o viajante, “mas eu nunca tinha realmente notado que a carregava.” Então, ele jogou a pedra fora e se sentiu muito melhor.

Em seguida veio outro transeunte que lhe perguntou: “Diga-me, cansado viajante, por que carrega essa abóbora tão pesada?”

“Estou contente que me tenha feito essa pergunta”, disse o viajante, “porque eu não tinha percebido o que estava fazendo comigo mesmo”. Então ele jogou a abóbora fora e continuou seu caminho com passos muito mais leves.

Um por um, os transeuntes foram avisando-o a respeito de suas cargas desnecessárias. E ele foi abandonando uma a uma. Por fim, tornou-se um homem livre e caminhou como tal.

Qual era na verdade o problema dele? A pedra e a abóbora?

Não!

ERA A FALTA DE CONSCIÊNCIA DA EXISTÊNCIA DELAS. Uma vez que as viu como cargas desnecessárias, livrou-se delas bem depressa e já não se sentia mais tão cansado. Esse é o problema de muitas pessoas: ELAS ESTÃO CARREGANDO CARGAS SEM PERCEBER. Não é de se estranhar que estejam tão cansadas!

O que são algumas dessas cargas que pesam na mente de um homem e que roubam as suas energias?

- Pensamentos negativos.
- Culpar e acusar outras pessoas.
- Permitir que impressões tenebrosas descansem na mente.
- Carregar uma falsa carga de culpa por coisas que não poderiam ter evitado.
- Auto-piedade.
- Acreditar que não existe saída.

 

Todo mundo tem o seu tipo de carga especial, que rouba energia. Quanto mais cedo começarmos a descarregá-la, mais cedo nos sentiremos melhor e caminharemos mais levemente.


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história extraída do livro
"Psycho-Pictography", de Vernon Howard.

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A Mesa do Velho Avô

Um frágil e velho homem foi viver com seu filho, nora e neto de quatro anos. As mãos do velho homem tremiam, sua vista era embaralhada e seu passo hesitante. A família comeu junto à mesa, mas, as mãos trêmulas do avô ancião e sua visão falhando tornou difícil o ato de comer. Ervilhas rolavam da colher dele para o chão. Quando ele pegava o seu copo, o leite derramava na toalha. A bagunça irritou fortemente seu filho e nora.

- Nós temos que fazer algo a respeito do vovô, disse o filho. Já tivemos bastante leite derramado, muita comida no chão e sempre o ouvimos comer ruidosamente.

Assim, o marido e a esposa prepararam uma pequena mesa num canto da sala. Lá, o ancião comia sozinho, enquanto o resto da família desfrutava o jantar. Desde que o avô tinha quebrado uns pratos, a comida dele ficou sendo servida numa tigela de madeira. Quando a família olhava de relance na direção do vovô, às vezes percebia lágrimas em seus olhos por estar só. Ainda assim, as únicas palavras que o casal tinha para ele eram advertências quando ele derrubava um garfo ou derramava comida. O neto assistia tudo em silêncio.

Uma noite, antes da ceia, o pai notou que seu filho estava brincando no chão com sucatas de madeira. Ele perguntou docemente para a criança:

- O que você está fazendo?

Da mesma forma dócil o menino respondeu:

- Estou fazendo uma pequena tigela para você e mamãe comerem sua comida quando eu crescer, e continuou a trabalhar.

As palavras do menino golpearam os pais, que ficaram mudos. Então, lágrimas começaram a fluir em suas faces. Entretanto, nenhuma palavra foi dita e ambos souberam o que deveria ser feito.

Naquela noite, o marido pegou a mão do vovô e, com suavidade, conduziu-o à mesa familiar. Pelo resto dos seus dias de vida, o vovô comeu sempre com a família. E por alguma razão, nem o marido nem a esposa pareciam se preocupar mais quando um garfo era derrubado, ou leite derramado, ou que a toalha da mesa tinha ficado suja.

As crianças são notavelmente perceptivas. Os olhos delas sempre observam, suas orelhas sempre escutam, e suas mentes sempre processam mensagens que elas absorvem. Se elas nos vêem pacientemente providenciar uma atmosfera feliz em nossa casa, para nossos familiares, elas imitarão aquela atitude pelo resto de suas vidas. E os pais sábios percebem isso diariamente, que o alicerce está sendo construído para o futuro da criança.

 

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
publicada no Diário de Guarapuava,
em 5 de julho de 2000, p. 4.

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A Ponte

Certa vez, dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um rio, entraram em conflito. Foi a primeira grande desavença em toda uma vida trabalhando lado a lado, repartindo as ferramentas e cuidando um do outro.
Durante anos, ao final de cada dia, percorriam uma estreita, porém comprida estrada, que corria ao longo do rio para poderem atravessá-lo e desfrutarem um da companhia do outro.
Apesar do cansaço, faziam-no com prazer, pois se amavam. Mas agora tudo havia mudado. O que começara com um pequeno mal entendido finalmente explodiu numa troca de palavras ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio.
Numa manhã, o irmão mais velho ouviu bater à sua porta. Ao abri-la, notou um homem com uma caixa de ferramentas de carpinteiro em sua mão.
- Estou procurando por trabalho, talvez você tenha um pequeno serviço aqui e ali.
- Sim! Claro que tenho trabalho para você. Veja aquela fazenda além do riacho. É de meu vizinho, na realidade meu irmão mais novo. Brigamos muito e não mais posso suportá-lo. Vê aquela pilha de madeira perto do celeiro? Quero que você me construa uma cerca bem alta ao longo do rio para que eu não mais precise vê-lo.
- Acho que entendo a situação. Certamente farei um trabalho que lhe deixará satisfeito.
Como precisava ir a cidade, o irmão mais velho ajudou o carpinteiro a encontrar o material e partiu.
O homem trabalhou arduamente durante todo aquele dia medindo, cortando e pregando. Já anoitecia quando terminou sua obra, ao mesmo tempo que o fazendeiro retornava. Porém, seus olhos não podiam acreditar no que viam. Não havia qualquer cerca. Em seu lugar estava uma ponte, feita de tábuas de madeira e troncos de árvore, ligando um lado do riacho ao outro.


Era realmente um belo trabalho, mas, enfurecido, exclamou:
- Você é muito insolente em construir esta ponte após tudo que lhe contei.
No entanto, as surpresas não haviam terminado. Ao erguer seus olhos para a ponte mais uma vez, viu seu irmão aproximando-se da outra margem, correndo com seus braços abertos. Cada um dos irmãos permaneceu imóvel de seu lado do rio, quando, num só impulso, correram um na direção do outro, abraçando-se e chorando no meio da ponte. Emocionados, viram o carpinteiro arrumando suas ferramentas e partindo.
- Espere, disse o mais velho, fique conosco mais alguns dias. Tenho muitos outros projetos para você. E o carpinteiro respondeu:
- Adoraria ficar. Mas tenho muitas outras pontes para construir.


Quantas vezes um carpinteiro desses se torna bem-vindo e necessário em nossas vidas!!!


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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A Salvação a Nosso Alcance


“Eu vim para que tenham vida
e a tenham em abundância”
(Jo 10,10).

Durante uma caminhada ao parque deparei-me com um pequeno passarinho, que estava bem machucado.

Notei que uma de suas asas encontrava-se visivelmente danificada, impedindo-o de alçar vôos maiores. Isso fazia com que aquele frágil animalzinho não conseguisse se alimentar, pois os pássaros sadios eram muito mais ágeis e qualquer competição por comida tornava-se sempre desfavorável ao pequeno e debilitado passarinho.

Evitei, então, o triste fim que aquele bichinho desamparado teria, decidindo por trazê-lo às minhas mãos, com as quais formei cuidadosamente uma espécie de “concha” para acolher aquela pobre ave, que já se achava bem debilitada.

Logo percebi que se eu apertasse demais uma mão contra a outra, aquele bichinho seria esmagado e morreria. Por outro lado, se eu abrisse muito espaço ele cairia e também pereceria. O ambiente ideal para uma adequada recuperação era, portanto, uma concha feita com as mãos nem muito apertadas e nem muito frouxas.

Notei também que por mais cuidado que eu pudesse ter na formação da “concha”, sobravam diversos vãos por entre os dedos, através dos quais o animalzinho poderia facilmente escapar, se assim o desejasse. E fiquei pensando sobre que atitude eu deveria tomar se ele insistisse na sua passagem por algum daqueles vãos.

Dias depois, aquela avezinha estava plenamente recuperada. Eu a ajudei para que desse início a seu vôo magistral, que de fato foi magnífico! O curioso, entretanto, é que poucos minutos depois ela estava de volta, tendo pousado no batente de minha janela.

Durante mais de um mês aquela cena se repetiu, por várias vezes. Eu acordava com seu canto sublime, e depois eram vôos espetaculares, sempre complementados com seus longos intervalos de descanso à beira de minha janela.

Passei então a entender que aquilo era muito mais do que a sua busca por mais proteção. Também era algo superior a um puro agradecimento por eu lhe ter salvado a vida.

E, meditando mais sobre tudo aquilo, cheguei finalmente à conclusão de que algo bastante semelhante ocorre com respeito ao relacionamento, de cada um de nós, com Deus. Como nosso Pai benfeitor, Suas mãos santas nos acolhem com suavidade, como uma concha que não é totalmente solta e nem muito apertada, provendo-nos desta forma com uma proteção que nos é oferecida na medida exata, e com o espaço suficiente para que possamos nos curar e crescer.

E neste cenário, o que nos consola total e plenamente é termos a certeza de que, se nos arrependermos de nosso voluntário afastamento de Deus, Suas Mãos Santas estarão sempre disponíveis para nos acolher com infinita ternura e bondade, oferecendo-nos a proteção na medida exata das nossas necessidades e nos proporcionando o espaço no tamanho certo, para que Nele possamos crescer, e através Dele, nos salvar.

Através daquele passarinho pude compreender a enorme bondade de nosso Pai Celeste, que por nos amar infinitamente respeita todas as nossas decisões, mas ao mesmo tempo, se decidirmos retornar às Suas Mãos, Ele está sempre pronto a aceitar nosso arrependimento e totalmente presente para nos acolher e abrigar.


“Quem permanecer em mim e eu nele,
esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”
(Jo 15,5).

 

Texto escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
e publicado no jornal
“O Capuchinho”,
Ano VI – Jan/Fev de 2005,
Paróquia de N. Sra. das Mercês,
Curitiba – PR.

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A Serpente


Certa vez um caçador passava por uma mina quando viu uma serpente presa sob uma pedra enorme. Ao vê-lo a serpente pediu:

- Por favor, ajude-me. Levante a pedra.

- Não posso ajudar você, pois vai me devorar com certeza, respondeu o caçador.

O réptil tornou a pedir ajuda, prometendo ao homem que não o comeria. Ele então libertou a serpente, que logo fez um movimento em sua direção como se fosse atacá-lo, enrolando-se no braço do homem.

- Você não prometeu que não me comeria se a ajudasse? perguntou o homem.

- Fome é fome, respondeu-lhe a serpente.

- Mas, disse o caçador, se você faz alguma coisa errada que tem a fome a ver com isso?

O homem então sugeriu que submetessem o assunto à opinião de outros. Entraram no bosque, onde encontraram um cachorro. Perguntaram-lhe se achava que a serpente devia comer o homem.

- Uma vez pertenci a um homem, disse o cão. Ele caçava lebres e sempre me dava a melhor carne para comer. Agora que estou velho, e nem posso apanhar uma tartaruga, ele quer me matar. Assim como recebi mal em troca de bem, a serpente deveria fazer a mesma coisa. Declaro que ela deveria comer você.

- Você ouviu sua sentença? disse a serpente ao homem.

Decidiram, porém, que ouviriam três opiniões e não apenas uma, e seguiram adiante. Pouco depois encontraram um cavalo e lhe pediram que julgasse o caso.

- Acho que a serpente deveria comer o homem, disse o cavalo, e continuou:

- Certa vez tive um amo. Ele me alimentou enquanto eu podia viajar. Agora que estou fraco, e não posso executar minhas tarefas, ele quer me matar.

- Já temos dois juízos unânimes, disse a serpente.

Um pouco mais adiante cruzaram com uma raposa.

- Cara amiga, disse o caçador, preciso da sua ajuda. Estava passando por uma pedreira quando vi esta enorme serpente às portas da morte, presa sobre uma rocha. Pediu-me que a libertasse; fiz o que pedia, e agora ela quer me comer.

- Se devo dar minha opinião, respondeu a raposa, voltemos ao lugar do ocorrido para analisar a situação de modo mais real.

Voltaram a pedreira, e a raposa, para reconstituir os fatos, pediu que a pedra fosse colocada em cima da serpente. Assim foi feito.

- Era assim que você estava? - perguntou a raposa.

- Sim, respondeu a serpente.

- Muito bem, disse a raposa. Ficará assim pelo resto da vida.


Não há nada que petrifique e
endureça tanto o coração de alguém
como a ingratidão.

Jesus foi o maior alvo de ingratidão
em toda a Bíblia e em toda a história da humanidade.
Deus entregou seu Filho para resgatar o escravo;
condenou o inocente para perdoar o culpado;
quebrou o diamante para consertar o barro;
fez o Criador sofrer para que
a vil criatura não padecesse eternamente.

E como o homem agradeceu a Deus
essa demonstração de amor?

Rejeitando o seu Filho, traindo-o, vendendo-o,
pregando-o numa cruz.

Maior ingratidão não poderia haver.
Porém a ingratidão não diminuiu o amor de Jesus.

Lembre sempre:

JESUS NUNCA RESPONDEU
À INGRATIDÃO
COM INGRATIDÃO.


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

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A Ti, Pai


“Os meus olhos derramam rios de lágrimas,
porque os homens não guardam a tua lei”
(Sl 119,136).


Queria ser um escritor
Para te oferecer um poema

Queria ser um compositor
Para te oferecer uma música

Queria ser um pintor
Para te oferecer um quadro

Mas nunca serei o suficiente
Para oferecer o que mereces

Entro em meu quarto, derramo uma lágrima
E a ofereço a ti, Pai.

 

“Mas tu, quando orares,
entra no teu quarto e,
fechando a porta,
ora a teu Pai que está em secreto”
(Mt 6,6).

 

Texto escrito em Março de 2005 por
Marcos de Lacerda Pessoa

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A Tua própria dor


Por todo bem que não abracei;

Por todo mal que cometi;

Por todas as fraquezas que vivi;

Por todas as culpas que não chorei;

Por toda demora em ir ao encontro de Ti;

Dá-me, Senhor,

A mais verdadeira, a mais profunda, a mais amarga dor,

A Tua própria dor na Cruz,

Pelos meus detestáveis pecados.

Que mais posso oferecer-Te, Senhor, que sirva de reparação?

Ó Senhor,

Tu és a minha esperança, Tu és o meu tesouro divino,

Que tudo reforma, que tudo vivifica e tudo melhora;

Em Tuas Mãos Santas coloco a minha total confiança,

O meu futuro,

E a minha salvação.

Sacratíssimo Coração de Jesus:
Tende piedade de nós!

 

Texto escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
em maio de 2005

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A Visita de Jesus

Esta estória passa-se em uma cidade dos Estados Unidos, durante um dia de inverno com muita neve e frio.

Ruth foi à sua caixa de correio em frente de casa, verificar se tinha alguma correspondência e lá havia somente uma carta. Ela tomou a mesma e olhou para ela antes de abrir.

Então, ela verificou que não havia nem selo nem qualquer outro carimbo do correio. Abriu o envelope e leu a carta:

"Querida Ruth:
Deverei estar na sua vizinhança no sábado à tarde e gostaria de visitá-la.
Com amor,
Jesus."

Com as mãos trêmulas ela colocou a carta em cima da mesa. "Porque iria Jesus visitar-me? Eu não sou ninguém especial. Eu não tenho nada para oferecer." Com esse pensamento, Ruth lembrou de sua cozinha com armários vazios.

"Oh meu Deus, eu, realmente, não tenho nada para oferecer. Eu tenho que correr para o supermercado e comprar alguma coisa para o jantar."

Ela procurou em sua bolsa e viu que continha somente cinco dólares e quarenta centavos.

"Bem, pelo menos eu posso comprar um pouco de pão e alguns frios."

Ela vestiu seu sobretudo e correu para as compras.

Alguns pães franceses, 250 gramas de peito de peru fatiado e uma caixinha de leite deixaram Ruth com apenas 12 centavos.

Apesar de tudo, ela se sentiu bem voltando para casa com aquela pequena e simples oferenda debaixo de seus braços.

No caminho, uma voz: "Ei senhora, você pode nos ajudar?"

Ruth estava tão absorvida em seus planos para o jantar que nem notou duas figuras aconchegadas uma à outra na alameda. Um homem e uma mulher, ambos vestidos em não mais que uns farrapos.

"Olhe senhora, eu estou desempregado, sabe, e minha mulher e eu estamos vivendo ao relento, e o tempo está tornando-se muito frio e estamos sentindo muita fome e se a senhora pudesse nos ajudar nós ficaríamos realmente felizes."

Ruth olhou para os dois. Eles estavam sujos e cheiravam mau e, francamente, ela estava certa que eles poderiam conseguir algum tipo de trabalho se eles, realmente, quisessem. "Senhor, eu gostaria de ajudá-los nas eu sou uma pobre mulher. Tudo o que eu tenho é um pouco de frios fatiados e um pouco de pão, e eu tenho uma visita muito importante para o jantar esta noite, e estava planejando servir isto para Ele."

"Sim. Está certo senhora, eu compreendo. De qualquer forma muito obrigado."

O homem colocou suas mãos nos ombros da companheira e seguiram em frente.

Olhando-os partir, Ruth sentiu uma dor familiar em seu coração:

"Espere, senhor"

O casal parou e virou para ela, que corria para eles.

"Olhe, por que você não fica com este alimento? Eu arranjo outra coisa para servir meu convidado."

Ela deu ao homem sua sacola de supermercado.

"Obrigado senhora. Muito obrigado."

"Sim, muito obrigado" disse a esposa. Ruth percebeu que ela estava tiritando de frio.

"Sabe, eu tenho outro sobretudo em casa. Aqui está este para você."

Desabotoou o casaco e jogou-o sobre os ombros da mulher.

Então, sorrindo, voltou-se e foi embora alameda abaixo, sem seu casaco e sem os alimentos para servir seu convidado.

"Obrigado senhora, muito obrigado mesmo."

Ruth estava enregelada sem seu casaco e muito preocupada.

O Senhor estava chegando para visitá-la e ela não tinha nada para lhe oferecer.

Ela remexeu em sua bolsa para achar a chave de casa, quando percebeu que havia outro envelope em sua caixa de correio.

"Isto é estranho. O carteiro não costuma vir duas vezes no mesmo dia."

Ela pegou o envelope e o abriu.

"Querida Ruth:
Foi tão bom vê-la novamente. Obrigado pela adorável comida.
E obrigado, também, pelo maravilhoso casaco.
Com amor, sempre,
Jesus."

O ar estava ainda frio, mas mesmo sem casaco, Ruth não notou.


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Amigo


Um soldado dirigiu-se ao seu superior e lhe solicitou permissão para ir buscar um amigo que não havia voltado do campo de batalha.

- Permissão negada, respondeu o oficial.

Mas o soldado, sabendo que o amigo estava em apuros, ignorou a proibição e foi à sua procura.

Algum tempo depois retornou, mortalmente ferido, transportando o cadáver do seu amigo nos braços.

O seu superior estava furioso e o repreendeu:

- Não disse para você não se arriscar? Eu sabia que a viagem seria inútil! Agora eu perdi dois homens ao invés de um... Diga-me: valeu a pena ir lá para trazer um cadáver?

- Claro que sim, senhor! Quando eu o encontrei ele ainda estava vivo e pôde me dizer:

- "Tinha certeza que você viria!"

 

Amigo é aquele que não apenas
enxuga as nossas lágrimas,
mas faz de tudo para não deixá-las cair.


“20 de Julho: Dia do Amigo”

 

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Amor em Família

Dois irmãozinhos brincavam em frente de casa com o cachorrinho deles, quando Júlio, o menino mais novo, disse ao irmão Ricardo:
- Meu querido irmão, eu te amo muito e nunca quero me separar de você!


Ricardo, sem dar muita importância ao que Júlio disse, pergunta:
- O que deu em você, seu chato? Que conversa besta é essa de amar? Quer calar a boca e continuar brincando?
E os dois continuaram brincando a tarde inteira, até anoitecer.
À noite, Jacó, pai dos garotos, chegou do trabalho, estava muito cansado e mal humorado, pois não havia conseguido fechar um negócio importante. Ao entrar, Jacó olhou para Júlio, e este sorriu para o pai e disse:
- Olá papai, eu te amo muito e não quero nunca me separar do senhor!
Jacó no auge de seu mau humor e estresse disse:
- Júlio, estou cansado e nervoso; então, por favor, não me venha com besteira!
Com as palavras ásperas do pai, Júlio ficou triste e foi chorar no cantinho do quarto. Dona Joana, mãe dos garotos, sentindo a falta do filho foi procurá-lo pela casa, até que o encontrou no cantinho do quarto com os olhinhos cheios de lágrimas. Dona Joana, espantada, começou a enxugar as lágrimas do filho e perguntou:
- O que foi Júlio, por que você está chorando?
Júlio olhou para a mãe com uma expressão triste e lhe disse:
- Mamãe, eu te amo muito e não quero nunca me separar da senhora!
Dona Joana sorriu para o filho e lhe disse:
- Meu amado filho, ficaremos sempre juntos. Sempre!
Júlio sorriu, deu um beijo na mãe e foi se deitar.
No quarto do casal, ambos se preparando para deitar, Dona Joana pergunta a seu marido:
- Jacó, o Júlio está muito estranho hoje, não acha?
Jacó muito estressado com o trabalho respondeu:
- Esse moleque só está querendo chamar a atenção... Deite e durma, mulher!
Então, todos se recolheram e dormiram sossegados. Às 2 horas da manhã, Júlio se levanta, vai ao quarto de seu irmão Ricardo, acende a luz e fica observando o irmão dormir... Ricardo, incomodado com a claridade, acorda e grita com Júlio:
- Seu idiota, apague essa luz e me deixe dormir!
Júlio, em silêncio, obedeceu ao irmão, apagou a luz e se dirigiu ao quarto dos pais... Chegando lá, acendeu a luz e ficou observando seu pai e sua mãe dormirem. O senhor Jacó acordou e perguntou ao filho:
- O que aconteceu, Júlio?
Júlio, em silêncio, só balançou a cabeça em sinal negativo, respondendo ao pai que nada havia ocorrido. Então, o senhor Jacó irritado perguntou a Júlio:
- Então, o que foi moleque? Júlio continuou em silêncio.
Jacó já muito irritado berrou com Júlio:
- Então vai dormir, menino chato!
Júlio, então, apagou a luz do quarto, dirigiu-se ao seu quarto e se deitou.
Na manhã seguinte, todos se levantaram cedo. Jacó iria trabalhar, a dona Joana levaria as crianças para a escola e Ricardo e Júlio iriam à escola... Mas Júlio não se levantou. Então, Jacó que já estava muito irritado com Júlio, entra bufando no quarto do garoto e grita:
- Levanta moleque!
Júlio nem se mexeu. Então, Jacó avança sobre o garoto e puxa com força o cobertor do menino com o braço direito levantado pronto para lhe dar um tapa, quando percebe que Júlio estava com os olhos fechados e que encontrava-se pálido. Jacó, assustado, colocou a mão sobre o rosto de Júlio e pode notar que seu filho estava gelado. Desesperado, Jacó gritou chamando a esposa e o filho Ricardo para ver o que havia acontecido com Júlio... Infelizmente, o pior. Júlio estava morto e sem qualquer motivo aparente. Dona Joana, desesperada, abraçou o filho morto e não conseguia nem respirar de tanto chorar. Ricardo, desconsolado, segurou firme a mão do irmão e só tinha forças para chorar também. Jacó, em desespero, soluçando e com os olhos cheios de lágrimas, percebeu que havia um papelzinho dobrado nas pequenas mãos de Júlio. Jacó então pegou o pequeno pedaço de papel e havia algo escrito com a letra de Júlio. "Outra noite Deus veio falar comigo através de um sonho, disse a mim que apesar de amar minha família e dela me amar, teríamos que nos separar. Eu não queria isso, mas Deus me explicou que seria necessário. Não sei o que vai acontecer, mas estou com muito medo. Gostaria que ficasse claro apenas uma coisa: Ricardo, não se envergonhe de amar seu irmão; Mamãe, a senhora é a melhor mãe do mundo; Papai, o senhor de tanto trabalhar se esqueceu de viver. Eu amo todos vocês!"


Dizem que essa história é baseada em um fato verídico.
Talvez seja... Não importa!
O fato é que reservamos muito pouco espaço em nossas vidas para que possamos parar, amar, e receber o amor que nos é ofertado.
E talvez quando acordarmos, já pode ser tarde demais...
No entanto, felizmente, ainda há tempo para fazermos isso!


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Amor, Eterno Amor


Aquela senhora estava com muita pressa. Entrou em um shopping para comprar alguns presentes de última hora para o Natal.

Havia muita gente ao redor e ela ficou incomodada com a situação. Pensou consigo mesma: "ficarei aqui uma eternidade, e tenho tantas coisas a fazer".

Um tanto depressiva, ela pensava em como o Natal estava se transformando em um grande comércio.

Andou rápido por entre as pessoas e entrou numa loja de brinquedos. Mais uma vez se surpreendeu reclamando dos preços. Perguntava-se a si mesma se seus netos realmente brincariam com aquilo.

Partiu para a seção de bonecas. Em um dos corredores encontrou um menino, de aproximadamente cinco anos, segurando uma boneca bem cara.

Estava tocando seus cabelos e a segurava com muito carinho. A senhora não pôde se conter e ficou olhando a cena fixamente, perguntando-se para quem seria aquela boneca.

Em seguida, se aproximou do menino uma mulher a quem ele perguntou: “não tenho dinheiro suficiente, tia?”. E a mulher lhe falou impaciente: “você já sabe que não tem o dinheiro suficiente para comprá-la”.

Depois disse ao menino que permanecesse onde estava enquanto ela buscava outras coisas que lhe faltavam e o menino continuou ali, segurando a boneca com muito carinho.

Após algum tempo, a senhora se aproximou e perguntou-lhe para quem era a boneca e ele respondeu: “esta é a boneca que minha irmãzinha queria muito ganhar, no Natal”.

Ela estava certa de que a ganharia neste Natal, disse o garoto com certa tristeza.

A senhora se compadeceu e disse ao menino que, no Natal, levaria a boneca para sua irmãzinha, mas ele falou: “não, a senhora não pode ir onde minha irmãzinha está.”

- “Eu tenho que entregá-la a minha mãe para que ela leve até a minha irmãzinha”.

- E onde está sua irmã?

O menino, com um olhar de tristeza, disse: “ela se foi com Jesus. Meu pai me disse que a mamãe irá encontrar-se com ela, em breve”.

A mulher sentiu um grande aperto no coração. E o menino continuou: “pedi ao papai para falar com a mamãe para que ela não se vá ainda”.

“Disse-lhe para pedir a ela que espere até que eu volte do shopping”.

Em seguida o garoto tirou do bolso algumas fotografias que tinham sido tiradas em frente ao shopping e falou: “vou pedir ao papai que leve estas fotos para minha mãe, para que ela nunca se esqueça de mim. Gosto muito da minha mãe, não queria que ela partisse. Mas o papai disse que ela tem que ir encontrar a minha irmãzinha”.

Enquanto o pequeno olhava a foto, a senhora tirou da carteira algumas notas e pediu a ele que contasse o dinheiro novamente.

Ele contou outra vez, e disse satisfeito: “estou certo de que será suficiente. Agora posso comprar a boneca”.

E disse: "eu acabei de pedir a Jesus para que me desse dinheiro suficiente para comprar esta boneca para a mamãe levar até a minha irmãzinha, e Ele ouviu a minha oração. Eu pedi, ainda, para que o dinheiro fosse suficiente para comprar também uma rosa branca para a minha mãe, e Ele acaba de me dar o bastante para a boneca e para a rosa".

- “Sabe, minha mãe gosta muito de rosas brancas...”

Em alguns minutos a tia do garoto voltou e a senhora se foi.

Enquanto terminava suas compras, agora com uma disposição bem diferente, ela não conseguia deixar de pensar naquele menino. Lembrou-se de uma história que havia lido num jornal, dias antes, a respeito de um acidente causado por um condutor alcoolizado, no qual uma menininha falecera e a mãe ficara em estado grave. Deu-se conta de que aquele menino pertencia àquela família.

Dois dias depois, ela leu no jornal a notícia de que a mulher acidentada havia morrido.

Não conseguia tirar o menino da mente... Comprou um buquê de rosas brancas e as levou ao funeral...

Lá estava o corpo de uma mulher... Com uma rosa branca numa das mãos, uma linda boneca na outra, e a foto de seu filho em frente ao shopping.

Grossas lágrimas rolaram do rosto daquela senhora ao perceber a grandeza do amor daquele menino pela mãe e pela irmã...

Um amor que a morte não conseguiu apagar...

Um amor que vai muito além da existência física...

O verdadeiro amor que Jesus, O Aniversariante tão esquecido, veio ensinar à humanidade...

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Amor Infinito


Os exames mostraram que era uma menina, e todos os dias João Pedro cantava perto da barriga de sua mãe. Ele já amava a sua irmãzinha antes mesmo dela nascer.

A gravidez se desenvolveu normalmente. No tempo certo, vieram as contrações. Primeiro, a cada cinco minutos; depois a cada três; então, a cada minuto uma contração.

Entretanto, surgiram algumas complicações e o trabalho de parto de Maria Fernanda demorou horas. Todos discutiam a necessidade provável de uma cesariana. Até que, enfim, depois de muito tempo, a irmãzinha de João Pedro nasceu. Só que ela estava muito mal.

Com a sirene no último volume, a ambulância levou a recém-nascida para a UTI neonatal do Hospital Pequeno Príncipe. Os dias passaram. A menininha piorava. O médico disse aos pais: "Preparem-se para o pior. Há poucas esperanças".

Maria Fernanda e seu marido começaram, então, os preparativos para o funeral. Alguns dias atrás estavam arrumando o quarto para esperar pelo novo bebê. Hoje, os planos eram outros.

Enquanto isso, João Pedro todos os dias pedia aos pais que o levassem para conhecer a sua irmãzinha. "Eu quero cantar pra ela", ele dizia. A segunda semana de UTI entrou e esperava-se que o bebê não sobrevivesse até o final dela.

João Pedro continuava insistindo com seus pais para que o deixassem cantar para sua irmã, mas crianças não eram permitidas na UTI. Entretanto, Maria Fernanda decidiu. Ela levaria João Pedro ao hospital de qualquer jeito. Ele ainda não tinha visto a irmã e, se não fosse hoje, talvez não a visse viva.

Ela vestiu João Pedro com uma roupa um pouco maior, para disfarçar a idade, e rumou para o hospital. A enfermeira não permitiu que ele entrasse e exigiu que ela o retirasse dali. Mas Maria Fernanda insistiu: "Ele não irá embora até que veja a sua irmãzinha!" Então ela levou João Pedro até a incubadora. Ele olhou para aquela trouxinha de gente que perdia a batalha pela vida. Depois de alguns segundos olhando, ele começou a cantar uma música que aprendera na Igreja, com sua voz pequenininha:

"Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai...”

Nesse momento, o bebê pareceu reagir. A pulsação começou a baixar e se estabilizou. Maria Fernanda encorajou João Pedro a continuar cantando.

“Segura na mão de Deus, segura na mão de Deus, pois ela, ela te sustentará...”

Enquanto João Pedro cantava, a respiração difícil do bebê foi se tornando suave. "Continue, querido!", pediu Maria Fernanda, emocionada "Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai...” O bebê começou a relaxar. "Cante mais um pouco, João Pedro". A enfermeira começou a chorar. "Segura na mão de Deus, segura na mão de Deus, pois ela, ela te sustentará...” No dia seguinte, a irmã de João Pedro já tinha se recuperado e em poucos dias foi para casa. Os médicos consideraram o caso como um “MILAGRE”. O jornalzinho do bairro imprimiu em sua manchete: “O MILAGRE DA CANÇÃO DE UM IRMÃO”. Maria Fernanda chamou de “AMOR INFINITO”.


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Anjos de Uma Asa Só


Em zona montanhosa e coberta por gelo, caminhavam dois velhos amigos, ambos muito cansados e já praticamente enfermos, cada qual a defender-se, quanto possível, contra os golpes do ar gelado.

Inesperadamente, os dois homens foram surpreendidos por uma criança semimorta, deitada na neve, com seu corpo ao sabor da ventania de inverno.

Um dos homens, olhando para a criança, exclamou irritadiço: “não perderei tempo. A hora exige cuidado para comigo mesmo. Sigamos à frente!”. O outro, porém, mais piedoso, falou: “amigo, salvemos o pequenino. É nosso irmão em humanidade”.

“Não posso” - disse o companheiro, endurecido -, “sinto-me cansado e doente. Este desconhecido seria um peso insuportável. Temos frio e tempestade. Precisamos chegar à aldeia próxima sem perda de minutos”. E avançou para diante em largas passadas.

O viajante de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o menino estendido, demorou-se alguns minutos colando-o paternalmente ao próprio peito e, aconchegando-o ainda mais, marchou adiante, embora a passos menos rápidos.

A chuva gelada caiu pela noite adentro, mas ele, amparando o valioso fardo, depois de muito tempo atingiu a hospedaria do povoado que buscava. Com enorme surpresa, porém, não encontrou ali o colega que havia seguido na frente.

Somente no dia seguinte, depois de muita procura, foi o infeliz viajante encontrado, sem vida, numa vala do caminho alagado. Seguindo à pressa e a sós, com a idéia egoística de preservar-se, não resistiu à onda de frio que se fizera violenta e tombou encharcado, sem recursos com que pudesse fazer face ao congelamento. Enquanto que o companheiro, recebendo, em troca, o suave calor da criança que sustentava junto do próprio coração, superou os obstáculos da noite frígida, salvando-se de semelhante desastre.

Descobrira a sublimidade do auxílio mútuo...

Ajudando ao menino abandonado, ajudara a si mesmo. Avançando com sacrifício para ser útil a outra pessoa, conseguira triunfar dos percalços do caminho, alcançando as bênçãos da salvação recíproca.


Somos todos
Anjos de Uma Asa Só,
necessitamos nos abraçar
para conseguirmos alçar vôo.


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Anjos Existem?


O menino voltou-se para a mãe e perguntou:

- Os anjos existem mesmo? Eu nunca vi nenhum.

Como ela lhe afirmasse a existência deles, o pequeno disse que iria andar pelas estradas, até encontrar um anjo.

- É uma boa idéia - falou a mãe. Irei com você.

- Mas você anda muito devagar - argumentou o garoto. Você tem um pé aleijado.
A mãe insistiu que o acompanharia. Afinal, ela podia andar muito mais depressa do que ele pensava.

Lá se foram. O menino saltitando e correndo e a mãe mancando, seguindo atrás.
De repente, uma carruagem apareceu na estrada. Majestosa, puxada por lindos cavalos brancos. Dentro dela, uma dama linda, envolta em veludos e sedas, com plumas brancas nos cabelos escuros. As jóias eram tão brilhantes que pareciam pequenos sóis. Ele correu ao lado da carruagem e perguntou à senhora:

- Você é um anjo?

Ela nem respondeu. Resmungou alguma coisa ao cocheiro que chicoteou os cavalos e a carruagem sumiu, na poeira da estrada. Os olhos e a boca do menino ficaram cheios de poeira. Ele esfregou os olhos e tossiu bastante. Então, chegou sua mãe que limpou toda a poeira, com seu avental de algodão azul.

- Ela não era um anjo, não é, mamãe?

- Com certeza, não. Mas um dia poderá se tornar um, respondeu a mãe.
Mais adiante uma jovem belíssima, em um vestido branco, encontrou o menino.
Seus olhos eram estrelas azuis e ele lhe perguntou:

- Você é um anjo?

Ela ergueu o pequeno em seus braços e falou feliz:

- Uma pessoa me disse ontem à noite que eu era um anjo. Enquanto acariciava o menino e o beijava, ela viu seu namorado chegando.

Mais do que depressa, colocou o garoto no chão. Tudo foi tão rápido que ele não conseguiu se firmar bem nos pés e caiu.

- Olhe como você sujou meu vestido branco, seu monstrinho! Disse ela, enquanto corria ao encontro do seu amado. O menino ficou no chão, chorando, até que chegou sua mãe e lhe enxugou as lágrimas com seu avental de algodão azul. Aquela moça, certamente, não era um anjo.

O garoto abraçou o pescoço da mãe e disse estar cansado.

- Você me carrega?

- É claro - disse a mãe. Foi para isso que eu vim.

Com o precioso fardo nos braços, a mãe foi mancando pelo caminho, cantando a música que ele mais gostava.

Então o menino a abraçou com força e lhe perguntou:

- Mãe, você não é um anjo?

A mãe sorriu e falou mansinho:

- Imagine, nenhum anjo usaria um avental de algodão azul como o meu...


Anjos são todos os que na Terra se tornam guardiões dos seus amores.
São mães, pais, filhos, irmãos que renunciam a si próprios,
a suas vidas em benefício dos que amam.
Às vezes, podem estar do nosso lado e não percebemos.


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Atenção:
Fé e ansiedade não combinam!


“Jesus é nossa paz”
(Efésios 2,14).


Uma das tarefas mais difíceis para os Cristãos é seguir as palavras de Jesus, quando Ele nos ordena:

"Não andem ansiosos"
(Mateus 6, 25-34).

Nos dias de hoje, as pessoas em geral parecem estar sofrendo excessivamente, preocupando-se em demasia e sendo, cada vez mais freqüentemente, tomadas por ondas de medo, angústia e aflição.

 

Entretanto, para nós Cristãos isso não deveria ocorrer, tendo em vista que na Bíblia encontramos várias promessas relacionadas à efetiva proteção e à real presença de Deus em nossas vidas. Veja, por exemplo, a seguinte citação:

“Não tenha medo, pois eu estou com você.
Não precisa olhar com desconfiança, pois eu sou o seu Deus.
Eu o fortaleço, o ajudo e o sustento com minha direita vitoriosa”
(Isaías 41,10).

Note que essa é uma promessa verdadeiramente maravilhosa! Deus afirma estar conosco e nos promete ajudar, para que, com Ele, consigamos vitória! Isso não é absolutamente magnífico?

Mas por que, então, continuamos a ficar ansiosos? Será possível que não confiamos mais nas Sagradas Escrituras? Será que perdemos a consciência de que a Bíblia é a Palavra do Senhor, inspirada e infalível (2 Pedro 1,21), e que suas promessas devem servir, portanto, de base para a nossa fé e prática (2 Timóteo 3,16)?

E quando olhamos a questão da ansiedade sob o ponto de vista do que a Bíblia nos ensina, chegamos à conclusão de que, ao ficarmos ansiosos, estamos nos comportando como se não crêssemos, tendo em vista que, ao nos preocuparmos, estamos colocando imediatamente em dúvida a sabedoria e o poder de Deus. Fé e ansiedade são duas coisas totalmente incompatíveis, pois a preocupação insinua que Deus não age, que não se importa conosco e não se interessa por nós.

Mas a Bíblia nos mostra que isso não é verdade! Veja, por exemplo, o que diz Isaías 43,1-5 a esse respeito:

“Não tenha medo, pois eu o redimi e o chamei pelo nome; você é meu.
Quando você atravessar a água, eu estarei com você e os rios não o afogarão;
quando você passar pelo fogo, não se queimará, e a chama não o alcançará, pois eu sou o seu Deus...
Você é precioso para mim, é digno de estima e eu o amo...
Não tenha medo, pois eu estou com você”.

Esses versículos nos reafirmam, com clareza, que Deus é Pai, é amoroso, importa-se conosco e está sempre pronto para nos guiar e proteger.
Novamente perguntamos: ‘por que, então, continuamos a ficar ansiosos?’.
Na realidade, o que acontece é que, muitas vezes, preferimos segurar todos os fardos da vida em nossas próprias mãos. Simplesmente não nos aventuramos a entregar nossa carga de preocupações a Deus, que como a Bíblia nos ensina, cuida de nós e está com Seu olhar permanentemente voltado para nós:

“Esforce-se, e tenha bom ânimo;
não se atemorize, nem se espante;
porque o Senhor seu Deus está com você,
por onde quer que você ande”
(Josué 1,9).

Neste trecho, as Sagradas Escrituras estão simplesmente nos dizendo:

Não se preocupe! Entregue as suas ansiedades para Deus!

Porém, de modo prático, como podemos "não nos preocupar com nada", se nos deparamos com vários problemas? A Bíblia também nos dá a resposta para isso, em Filipenses 4,6-7:

"Não andem ansiosos de coisa alguma;
em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as suas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça.
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o seu coração e a sua mente em Cristo Jesus."

É importante notar, aqui, que a exortação de Deus "não andem ansiosos" não é um apelo sentimentalista, nem um desejo ou um pedido, mas trata-se de uma ‘ordem’! E nela somos chamados a assumir uma das tarefas mais difíceis para os Cristãos: a de, além de termos feito tudo que estiver ao nosso alcance, voltarmos-nos a Nosso Senhor e colocarmos todas as nossas ansiedades nas Suas mãos seguras e protetoras. E é Ele mesmo nos indica esse caminho:

"Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados,
e Eu lhes darei descanso”
(Mateus 11,28).

 

Racionalmente, nós nos preocupamos de fato, com diversas situações que temos que enfrentar, mas como dizem as Escrituras, o cuidado de Deus está acima do nosso entendimento. Veja outro maravilhoso trecho bíblico, que nos reafirma e nos garante isso:

“Confie no Senhor com todo o seu coração,
e não se fie em sua própria inteligência.
Pense nEle em todos os seus caminhos,
e Ele aplainará as suas trilhas.
Não se considere sábio aos seus próprios olhos;
tema ao Senhor e evite o mal.
Isso trará saúde para a sua carne;
e alívio para os seus ossos”
(Provérbios 3,5-8).

Na verdade, se Deus estiver sempre em nossos pensamentos, não há motivo algum para temermos ‘qualquer coisa’. Basta fazermos tudo o que pudermos, para, então, colocarmos nossas preocupações nas mãos de nosso Pai celeste, que passará a cuidar de todas as coisas para nós. Como dizia o fundador da Companhia de Jesus, Santo Inácio de Loyola (1491-1551), “devemos fazer tudo como se tudo dependesse de nós; e esperar tudo como se tudo dependesse de Deus”.

Resumindo, a solução para os momentos de ansiedade é muito simples e nos é ensinada pelas Sagradas Escrituras: toda vez que surgir uma preocupação, deve-se fazer o que está ao nosso alcance, mas sempre apresentando essa preocupação diante de Deus, por meio da oração suplicante e da ação de graças, antes que esse sentimento se transforme em ansiedade. A união de súplica com agradecimento leva-nos a enxergar e localizar as coisas boas da vida e a tomarmos consciência das inúmeras vezes em que Deus nos atendeu.

E, agindo assim, o resultado não demorará, pois a paz de Deus “excede todo o entendimento” (Filipenses 4,7), ou seja, é muito mais maravilhosa do que a nossas mentes podem compreender, transcendendo toda a compreensão humana.

Se acreditarmos nisso e agirmos como a Bíblia nos ensina, Deus ocupará por completo o lugar de nossos temores e ansiedades.


Texto escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
em Agosto de 2005.

 

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Bem-Aventurados os Humildes


“Bem-aventurados os humildes de espírito,
porque deles é o reino dos céus”
(Mt 5,3).


Foi no século dezenove. O arcebispo de Viena resolveu fazer uma visita a alguns dos seus fiéis.

Preparada sua comitiva aprestou-se para a viagem. O primeiro local que deveria visitar seria o castelo de Vivarais.

 

Os donos do castelo avisados antecipadamente passaram a aguardar o ilustre visitante, esmerando-se em detalhes, a fim de que tudo transcorresse sem qualquer transtorno.

Ao cair da tarde daquele mês de março apresentou-se no palácio um pobre sacerdote pedindo pousada.

Como todos os aposentos já se encontravam reservados para os visitantes, os donos do castelo pediram aos criados que conduzissem o pedinte a um dos alpendres, junto às cavalariças.

Algum tempo depois chegaram ao solar os vigários que constituíam a comitiva do arcebispo. Foram recebidos, regiamente, pelo fidalgo e família, mas logo se admiraram em não ver Sua Excelência.

Perguntando por ele, receberam dos senhores do castelo a resposta de que ele ainda não aparecera.

Não é possível, falou um dos padres. Fomos obrigados a nos retardar um pouco e ele tomou a dianteira. Devia ter chegado à nossa frente.

Foi então que os anfitriões se recordaram do sacerdote recolhido próximo às cavalariças. Imaginando que ele poderia em sua jornada ter cruzado com o arcebispo, resolveram pedir aos criados que lhe fossem indagar a respeito.

Quando alguns dos integrantes da comitiva ouviram a referência a um outro sacerdote, perguntaram: quem é o religioso a quem se refere o nobre senhor?

Ora, respondeu o senhor de Vivarais, é um sacerdote muito pobre que nos bateu à porta, pedindo agasalho por uma noite.

A um só tempo, falaram os vigários presentes: "é ele".

Verdadeiramente, o pobre recebido, por caridade, no luxuoso castelo não era outro senão o grande arcebispo de Viena.

Assim portava-se e tão humilde era, que não se apresentava jamais com seus títulos e roupas elegantes.

 

Os homens essencialmente grandes não se importam com honrarias e suntuosidades.
Delas não necessitam para mostrarem seu valor, porque que este é intrínseco e aflora, onde quer que se encontrem.

Assim foi Jesus Cristo, que escolheu a quietude de uma noite silenciosa para nascer, num estábulo, tendo como teto a abóbada celeste e como primeiros visitantes os homens simples que pastoreavam no campo.

E escolheu para morrer a cruz, submetendo-se às maiores humilhações.

Nada que Lhe denunciasse a glória aos olhos humanos.

E, com essa humildade absoluta, Jesus Cristo é
a Luz do mundo,
o Salvador da humanidade,
o Pão da Vida,
a segunda pessoa da Santíssima Trindade, e,
como tal, o nosso próprio...

Deus!


“Portanto, se há alguma exortação em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão do Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões,...

...nada façais por contenda ou por vanglória, mas com humildade cada um considere os outros superiores a si mesmo”
(Fp 2:1,3).


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Boa Noite, Papai!


Escute, filho... Enquanto falo isso, você está deitado, dormindo, uma mãozinha enfiada debaixo do seu rosto, com os cachinhos louros molhados de suor e grudados na testa.

Entrei sozinho e sorrateiramente no seu quarto. Há minutos atrás, enquanto eu estava sentado lendo meu jornal na biblioteca, fui assaltado por uma onda sufocante de remorso. E, sentido-me culpado, vim para ficar ao lado de sua cama.

Andei pensando em algumas coisa, filho... Tenho agido muito errado com você. Na hora em que você se trocava para ir à escola, briguei com você por ter atirado sua toalha no chão. Durante o café da manhã, também impliquei com várias coisas: você derramou o café fora da xícara, não mastigou direito a comida, pôs o cotovelo sobre a mesa, passou manteiga demais no pão...

E quando começou a brincar e eu estava saindo para o trabalho, você se virou e, abanando a mão, disse-me: "Tchau, papai!". E eu, franzindo o rosto, em resposta lhe disse: "Endireite esses ombros, menino!"

Já a noite, quando eu estava lendo no sofá, você me procurou timidamente, com uma espécie de mágoa impressa nos seus olhos. Quando afastei meu olhar do jornal, eu lhe perguntei em tom implicante: "O que é que você quer?" Você não disse nada, mas saiu correndo num ímpeto em minha direção, passou seus braços em torno do meu pescoço e me beijou, dizendo: "Boa noite, papai!” E seus braços foram se apertando com uma afeição pura, que Deus fez crescer em seu coração e que nenhuma indiferença de minha parte pode afastar. A seguir retirou-se, subindo rapidamente os degraus da escada, em direção à sua delicada caminha.

E eu não pude nem lhe responder ao "boa noite", meu filho, pois lágrimas me vieram aos olhos, meus dedos se afrouxaram, o jornal escorregou de minha mão, e uma emoção terrível tomou conta de mim.

Mas o que é que o hábito está fazendo de mim? Fico só achando erros, fazendo reprimendas e reclamações! Essa, meu filho, é a maneira que eu o venho recompensando por ser apenas uma frágil e delicada criança. De repente, percebo que o tenho avaliado pelos padrões da minha própria vida de adulto. Receio amargamente que o tenha visto até aqui como um homem feito.

Mas olhando-o agora, meu filho, encolhido e amedrontado no seu ninho, vejo que você é apenas um bebê. Ainda ontem esteve nos braços de sua mãe, com a sua cabecinha deitada no ombro dela. Tenho agredido muito você... Tenho exigido demais...

Vejo-me a toda hora injustamente reclamando de seu comportamento, que é um pouco mais descuidado, como o de qualquer criancinha de sua idade. E há tanto de bom, de belo e de verdadeiro em tudo que você faz... Você brilha tanto, seu coraçãozinho é tão grande e seu amor é tão quente, que eu só posso compará-lo ao sol, que sobe e aquece todos os nossos dias. E isto, tristemente, eu só percebo agora meu filho, pelo seu gesto carinhoso de correr e me dar um beijo espontâneo de boa noite.

Nada mais me importa nesta noite e na minha vida. Entrei na penumbra do seu quarto e ajoelhei-me ao lado de sua cama, e me sinto triste e completamente envergonhado!

Sei que se você estivesse acordado, não compreenderia todas essas emoções, esses sentimentos que estão me devastando, que estão espremendo o meu coração e afogando a minha garganta.

Mas a partir deste momento, meu filhinho, procurarei ser um pai de verdade. Serei seu amigo, sofrerei quando você sofrer, darei risadas quando você der. Morderei minha língua quando palavras impacientes quiserem sair pela minha boca. Eu irei dizer e repetir sempre, no mais íntimo do meu coração: "Ele é apenas um menino, um lindo e carinhoso menininho, um presentinho maravilhoso que nos foi dado por Deus!"

Durma bem, e... Boa noite, meu filho!


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Bode Expiatório

Conta uma antiga lenda que na Idade Média um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o criminoso era pessoa influente do reino e por isso, desde o primeiro momento procurou-se um "bode expiatório" para acobertar o verdadeiro assassino. O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e levá-lo à forca, mas ele era um homem de extrema fé, e que a manteria intacta até o último momento de sua vida.

O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.

Disse o juiz:

- “Sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor: vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO. Você sorteará um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhor decidirá seu destino”.

Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca.

 

Não havia saída. Não havia alternativas para o pobre homem. O juiz colocou os dois papéis sobre uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem fechou os olhos, meditou por alguns segundos e pressentindo a "vibração" aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou-o na boca e engoliu. Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.

- Mas o que você fez?!!! E agora? Como vamos saber qual seu veredicto?

- É muito fácil, respondeu o homem. Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o contrário.

Imediatamente o homem foi liberado.

Por mais difícil que seja uma situação, permaneça com fé até o último momento. Saiba que para qualquer problema há sempre uma saída, e que apesar de muitas vezes não a enxergamos, devemos sempre lembrar que o conhecimento e as possibilidades de Deus são ‘infinitamente’ maiores do que as nossas ‘limitadas capacidades’. Por isso não desista, não entregue os pontos, não se deixe derrotar. Confie, persista, vá em frente apesar de tudo e de todos, enfim... creia, que você conseguirá. Afinal, "se Deus é por você, quem será contra você?" (Romanos, 8:31).


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Caridade


Meg não chorou quando o médico lhe disse que Kristi, sua filha de dois anos, era portadora de uma deficiência mental.

 

Ela vinha suspeitando há algum tempo, mas teimava não aceitar.

Não chorou naquele momento, nem nos meses que se seguiram.

Quando Kristi tinha idade para ir à escola, Meg a matriculou no jardim de infância do colégio do seu bairro.

Ela estava com 7 anos.

Meg ficou na escola, naquele primeiro dia, vendo sua Kristi numa sala cheia de crianças de 5 anos de idade.

E viu sua filha passar horas e horas brincando sozinha, uma criança "diferente" entre outras 20.

Mas nenhuma lágrima saiu de seus olhos.

Com o tempo, algumas coisas positivas começaram a acontecer entre Kristi e seus colegas de escola.

Quando eles se vangloriavam de suas proezas, sempre tinham o cuidado de também a elogiar.

"Kristi escreveu todas as palavras certas, hoje" - diziam. Ninguém mencionava que os exercícios dela eram muito mais fáceis do que os dos outros.

Os avanços de Kristi eram registrados pela turma, com entusiasmo.

Foi no segundo ano na escola que Kristi precisou enfrentar sua experiência mais desafiante. O grande evento do final do ano era uma competição em atividades de educação física.

Kristi estava muito atrás da turma em coordenação motora. No dia do evento, ela fingiu estar doente.

Meg quase teve vontade de deixá-la em casa. Mas, consciente da importância da filha vencer o medo, a colocou no ônibus da escola.

Depois, foi assistir a competição. Sentada no meio dos outros pais, sentia seu coração bater forte.

Quando chegou a vez de Kristi, Meg entendeu o que a preocupava. A classe estava dividida em times de revezamento. Com suas reações lentas e hesitantes, Kristi iria, com certeza, prejudicar o seu time.

A apresentação foi correndo bem, até chegar a hora da corrida de sacos. Cada criança tinha que entrar em um saco na linha de partida, pular até à linha de chegada, fazer o caminho de volta e sair do saco.


Meg observou a filha de pé, perto do fim da sua fila. Estava visivelmente assustada.

Entretanto, quando se aproximou o momento de Kristi participar da corrida, algo inesperado aconteceu. Uma troca de lugares, em seu time.

O menino mais alto da fila foi para trás de Kristi e a segurou pela cintura. Dois outros meninos ficaram um pouco à frente.

Quando chegou a vez dela, aqueles dois meninos pegaram o saco vazio e o abriram. O menino mais alto suspendeu Kristi e a colocou suavemente dentro do saco.

Uma menina à frente de Kristi a pegou pela mão e a sustentou brevemente, até perceber que ela recuperara o equilíbrio.

E, então, lá se foi ela, pulando, sorridente e orgulhosa.

Em meio às aclamações dos professores, os gritos dos colegas e pais dos alunos, Meg se afastou lentamente.

Agradeceu a Deus por aquelas pessoas calorosas e compreensivas que tinham tornado possível para sua filha deficiente agir como os seus semelhantes.

E, de emoção, pura emoção, Meg finalmente chorou.



"Aspirai aos dons mais altos.
Aliás passo a indicar-vos um caminho
que ultrapassa a todos.
Ainda que eu falasse línguas,
as dos homens e as dos anjos,
se eu não tivesse a caridade,
seria como um bronze que soa
ou como um tímbalo que tine.

Ainda que eu tivesse o Dom da profecia,
o conhecimento de todos os mistérios
e de toda a ciência,
ainda que eu tivesse toda a fé,
a ponto de transportar os montes,
se não tivesse a caridade, eu nada seria.

Ainda que eu distribuísse
todos os meus bens aos famintos,
ainda que entregasse o meu corpo às chamas,
se não tivesse a caridade,
isso nada me adiantaria.

A caridade é paciente,
a caridade é prestativa,
não é invejosa, não se ostenta,
não se incha de orgulho.
Nada faz de inconveniente,
não procura o seu próprio interesse,
Não se irrita,não guarda rancor.
Não se alegra com a injustiça,
mas se regozija com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.

A caridade jamais passará.
Quanto às profecias, desaparecerão.
Quanto às línguas, cessarão.
Quanto à ciência, também desaparecerá.
Pois o nosso conhecimento é limitado,
e limitada é a nossa profecia.
Mas quando vier a perfeição,
o que é limitado desaparecerá...

Agora vemos em espelho e de maneira confusa,
mas depois, veremos face a face.
Agora o meu conhecimento é limitado,
mas depois conhecerei como sou conhecido (por Deus).
Agora, portanto,
permanecem fé, esperança e caridade,
estas três coisas.
A maior delas, porém,
é a caridade."
(1Cor, 13).


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Com Você

Um pai certa vez deu um castigo ao filho: dormir no sótão.
Lá pela meia-noite o pai foi vê-lo. Encontrou o filho com os olhos arregalados.


- "Me perdoe, papai. Deixe-me dormir na minha cama".
- "Não, filho. O castigo não pode ser alterado.
Você vai passar a noite aqui; mas o papai vem dormir com você".


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Como se Escreve…


Aos cinco anos de idade, quando Jeffy era ainda um menininho, a professora do jardim de infância pediu aos alunos que fizessem um desenho de alguma coisa que eles amavam.


Jeffy desenhou a sua família. Depois, traçou um grande círculo com lápis vermelho ao redor das figuras. Desejando escrever uma palavra acima do círculo, ele saiu de sua mesinha e foi até à mesa da professora e disse:

- Professora, como se escreve...? Ela não o deixou concluir a pergunta. Mandou-o voltar para o seu lugar e não se atrever mais a interromper a aula.

Jeffy dobrou o papel e o guardou no bolso. Quando retornou para sua casa, naquele dia, ele se lembrou do desenho e o tirou do bolso. Alisou-o bem sobre a mesa da cozinha, foi até sua mochila, pegou um lápis e olhou para o grande círculo vermelho.

Sua mãe estava preparando o jantar, indo e vindo do fogão para a pia, para a mesa. Ele queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para ela e disse.

- Mamãe, como se escreve...?

- Menino, não dá para ver que estou ocupada agora? Vá brincar lá fora. E não bata a porta, foi a resposta dela. Ele dobrou o desenho e o guardou no bolso.

Naquela noite, ele tirou outra vez o desenho do bolso. Olhou para o grande círculo vermelho, foi até à cozinha e pegou o lápis. Ele queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para seu pai. Alisou bem as dobras e colocou o desenho no chão da sala, perto da poltrona reclinável do seu pai e disse.

- Papai, como se escreve...?

- Jeffy, estou lendo o jornal e não quero ser interrompido. Vá brincar lá fora. E não bata a porta. O garoto dobrou o desenho e o guardou no bolso. No dia seguinte, quando sua mãe separava a roupa para lavar, encontrou no bolso da calça do filho enrolados num papel, uma pedrinha, um pedaço de barbante e duas bolinhas de gude. Todos os tesouros que ele catara enquanto brincava fora de casa. Ela nem abriu o papel. Atirou tudo no lixo.

Os anos passaram...

Quando Jeffy tinha 28 anos, sua filha de cinco anos, Juliana, fez um desenho. Era o desenho de sua família. O pai riu quando ela apontou uma figura alta, de forma indefinida e ela disse:

- Este aqui é você, papai! A garota também riu. O pai olhou para o grande círculo vermelho feito por sua filha, ao redor das figuras e lentamente começou a passar o dedo sobre o círculo.

Juliana desceu rapidamente do colo do pai e avisou: eu volto logo! E voltou. Com um lápis na mão. Acomodou-se outra vez nos joelhos do pai, posicionou a ponta do lápis perto do topo do grande círculo vermelho e perguntou.

- Papai, como se escreve amor? Ele abraçou a filha, tomou a sua mãozinha e a foi conduzindo, devagar, ajudando-a a formar as letras, enquanto dizia: amor, querida, amor se escreve com as letras T...E...M...P...O (TEMPO).


Conjugue o verbo amar todo o tempo.
Use o seu tempo para amar.
Crie um tempo extra para amar,
não esquecendo que para os filhos, em especial,
o que importa é ter quem ouça e opine,
quem participe e vibre, quem conheça e incentive.

Não espere seu filho ter que descobrir sozinho
como se soletra amor, família, afeição.

Por fim, lembre:
se você não tiver tempo para amar, crie.



Afinal, o ser humano é um poço de criatividade e o tempo...
...bom, o tempo é uma questão de escolha.


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Confiando e Descansando no Pai


O menininho estava provavelmente assustado ou com medo de algo, pois se agarrava fortemente ao pescoço do pai, com seus dois bracinhos bem apertados.

O pai tentava acalmar o menino, pedindo que lhe soltasse. Mas o garotinho continuou a agarrá-lo, cada vez mais forte e chorando progressivamente mais alto.

Aquela cena pareceu eterna, com o pai tentando acalmar a criancinha e sempre pedindo, com enorme amor e carinho, que lhe largasse do pescoço.

Finalmente, após o menino ter se debatido muito, passou a mostrar-se arrasadoramente cansado por todo esforço que havia feito para segurar-se ao pai, quando enfim seus braços se soltaram. Para sua surpresa, então, o pai o acolheu carinhosamente nos braços, dando-lhe a segurança e a proteção que o garoto desde o início buscava.

Essa mesma cena, de fato, ocorre diariamente com muitos de nós. Estressados ou mesmo amedrontados com as aflições que a vida nos apresenta, tentamos desesperadamente agarrar-nos a desejos e vontades, ambicionando uma vida “diferente”. Desejo de passar a ser mais bem reconhecido pelo chefe. Vontade de conseguir um bom emprego. Desejo de sarar de uma doença. Vontade de encontrar uma cara-metade. Desejo de vencer um determinado vício... E assim por diante: vontade disso, desejo daquilo. E muitas vezes nos “agarramos” a cada uma dessas coisas de forma totalmente aflita e desesperada.

Como resultado, a ansiedade só aumenta, enquanto o nosso “choro interior” vai se tornando progressivamente mais alto. Ignoramos por completo as palavras de nosso Pai celeste, que através de seu Filho, Jesus Cristo, nos revelou que Ele está verdadeiramente presente em nossas vidas, permanecendo sempre pronto para nos acolher em seus braços carinhosos e infinitamente seguros:

“Venha a mim aquele que estiver cansado e sobrecarregado,
e eu o aliviarei”
(Mt 11,28).

E isso não é apenas uma promessa vaga, mas um real chamamento para que nós, filhos aflitos e angustiados, soltemos nossos braços cansados, de maneira a então percebermos que o Pai está bem presente para nos acolher de forma segura e protetora:

“Entregue o seu caminho ao Senhor;
confie nele, e ele tudo fará”
(Sl 37,5).

Deixe o Pai lhe sustentar e conduzir. Mas quando você assim o fizer, então se entregue plenamente e permita que Ele lhe dê descanso. Não tente agarrar-se novamente aos seus problemas, mas ao invés disso:

“Descanse no Senhor,
e espere nele”
(Sl 37,7).

 

Texto escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
e publicado no jornal
‘O Capuchinho’,
Paróquia de Nossa Senhora das Mercês,
Curitiba - PR
Ano VII, Jan. e Fev. de 2006.

 

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Crer e Agir


Um viajante caminhava pelas margens de um grande lago de águas cristalinas e imaginava uma forma de chegar até o outro lado, onde seu pai o estava aguardando.

Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte.

De repente, percebe a presença de um homem, aproximando-se de barco e se oferecendo para transportá-lo. Tratava-se de um velho e simpático barqueiro.

 

O pequeno barco, no qual a travessia seria realizada, era provido de dois remos de madeira de carvalho. O viajante olhou detidamente e percebeu o que pareciam ser letras em cada remo. Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, observou que eram mesmo duas palavras. Num dos remos estava entalhada a palavra ‘CRER’ e no outro ‘AGIR’.

Não podendo conter a curiosidade, perguntou a razão daqueles nomes originais dados aos remos.

O barqueiro, sem falar uma palavra, pegou o remo no qual estava escrito CRER, e remou com toda força. O barco, então, começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava. Em seguida, pegou o remo em que estava escrito AGIR e remou com todo vigor. Novamente o barco girou em sentido oposto, sem ir adiante.

Finalmente, o velho barqueiro, segurando os dois remos, movimentou-os ao mesmo tempo, e o barco, impulsionado igualmente por ambos os lados, passou a navegar com segurança através das águas do lago, chegando de forma tranqüila à outra margem.

Então o barqueiro disse ao viajante:

- “Talvez o senhor não tenha observado, mas o nome deste barco é ‘VERDADE’. Para que o barco da VERDADE navegue seguro e alcance o seu destino, é preciso que utilizemos os dois remos ao mesmo tempo e com a mesma intensidade, isso é, o ‘CRER’ e o ‘AGIR’, simultaneamente”.

O homem, então, percebeu que as palavras do barqueiro eram sábias, e que não se limitavam àquele pequeno barco apenas, mas a uma forma cordata e inteligente de conduzir as nossas vidas. Na realidade, não basta apenas termos fé (‘CRER’), senão o barco ficará rodando em círculos, mas as obras são também extremamente necessárias (‘AGIR’), para que tenhamos o movimento na direção certa e alcancemos com segurança o nosso destino.

- “CRER e AGIR!”, exclamou o homem ao velho barqueiro, “impulsionar sempre os dois remos, com força e com vontade, superando as ondas e os vendavais da vida!”.

O barqueiro então, já esboçando em seu rosto um sorriso de satisfação por ter conseguido transmitir a mensagem, pergunta a seu passageiro:

- “E você, tem ‘remado’ na sua vida sempre com os dois remos?”.

E prosseguiu:

- “Verifique se o barco da VERDADE está parado no meio do caminho ou andando em círculos, pois se este é o seu caso, é hora de tomar uma decisão e impulsioná-lo com força e com vontade, valendo-se sempre dos dois remos, pois fé e obras devem se mover em paralelo. Esse é o grande segredo da boa navegação: CRER e AGIR”.

Nesse instante, o barco alcança a outra margem do lago, onde havia um homem de barba, que encontrava-se sorrindo e de braços bem abertos, prontos para abraçar, bem apertado, o seu filho amado, tão logo ele descesse do barco.

 

Ora, sem FÉ é impossível agradar a Deus;
porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus
CREIA que ele existe,
e que é galardoador[*] dos que o buscam
(Hebreus 11, 6).

[*] Nota: É doutrina padronizada do Novo Testamento
que há um galardão à espera dos justos,
como há castigo para os iníquos.
Veja também I Cor 3, 14 e II Tim 4, 8.


Porque o Filho do homem há de vir
na glória de seu Pai,
com os seus anjos;
e então retribuirá a cada um
segundo as suas OBRAS
(Mateus 16, 27).


Eu sou o caminho, e a VERDADE, e a vida;
ninguém vem ao Pai, senão por mim.
(João 14, 6)

 

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Curioso, Não É ?


IMAGINE...

É uma típica tarde de sexta-feira e você está dirigindo em direção à sua casa. Começa a sintonizar o rádio... O noticiário está falando de coisas de pouca importância.

Numa cidadezinha distante morreram três pessoas de uma gripe, até então totalmente desconhecida. Você não dá muita atenção ao tal acontecimento.

Na segunda-feira quando acorda, você escuta que já não são mais três, mas 30.000, as pessoas mortas pela tal gripe, nas colinas remotas da Índia. Um grupo do Controle de Doenças dos EUA foi investigar o caso.

Na terça-feira, essa já é a noticia mais importante, ocupando a primeira página de todos os jornais, porque já não é só na Índia, mas também no Paquistão, Irã e Afeganistão. Enfim, a notícia se espalha pelo mundo.

Estão chamando a doença de "La Influenza Misteriosa" e todos se perguntam: “Que faremos para controlá-la?”.

Então, uma notícia surpreende a todos: a Europa fecha suas fronteiras. A França não recebe mais vôos da Índia nem de outros países dos quais se tenham comentado de casos da tal doença.

Você está ligado em todos os meios de comunicação, para manter-se informado da situação e de repente ouve que uma mulher declarou que em um dos hospitais da França, um homem está morrendo pela tal "Influenza Misteriosa".

Começa o pânico na Europa. As informações dizem que quando se contrai o vírus, é questão de uma semana e nem se percebe. Em seguida, a pessoa passa quatro dias de sintomas horríveis, seguindo-se a morte.

A Inglaterra também fecha suas fronteiras, mas já é tarde. No mesmo dia o presidente dos EUA fecha também suas fronteiras para Europa e Ásia, para evitar a entrada do vírus no país, “até que encontrem a cura.”

No dia seguinte, as pessoas começam a se reunir nas igrejas em oração pela descoberta da cura, quando subitamente entra alguém na igreja, aos gritos: “Liguem o rádio! Liguem o rádio! Duas mulheres morreram em Nova York!!!”. Em questão de horas, parece que a coisa invadiu o mundo inteiro.

Os cientistas continuam trabalhando na descoberta de um antídoto, mas nada funciona. De repente, vem a noticia esperada: “conseguiram decifrar código de DNA do vírus. É possível fabricar o antídoto! É preciso, para isso, conseguir sangue de alguém que não tenha sido infectado pelo vírus.”

Corre por todo o mundo a notícia de que as pessoas devem ir aos hospitais fazer análise e doação de seu sangue para a fabricação do antídoto. Você corre para doar como voluntário, junto com toda sua família e mais alguns vizinhos, perguntando-se o que acontecerá. “Será este o final do mundo?”

De repente o médico sai gritando um nome, e é o nome do menor de seus filhos; e ele está do seu lado, agarra-se na sua jaqueta e lhe diz: “Pai, esse é meu nome!”.

E antes que você possa raciocinar, estão levando seu filho e você grita: “Esperem!”.

E eles respondem: “Tudo está bem! O sangue dele está limpo, é sangue puro. Achamos que ele tem o sangue que precisamos para o antídoto”.

Depois de cinco longos minutos, saem os médicos chorando e rindo ao mesmo tempo. E é a primeira vez que você vê alguém rindo em uma semana! O médico mais velho se aproxima a você e diz: “Obrigado Senhor! O sangue de seu filho é perfeito, está limpo e puro, o antídoto finalmente poderá ser fabricado”.

A notícia se espalha por todos os lados. As pessoas estão rindo de felicidade. Nisso, o médico aproxima-se de você e lhe diz: “Podemos falar um momento? Não sabíamos que o doador seria uma criança e precisamos que o Senhor assine uma autorização para usarmos o sangue de seu filho”.

Quando você está lendo, percebe que não colocaram a quantidade de sangue que vão usar, e você então pergunta: “Qual a quantidade de sangue que vão usar?”.

O sorriso do médico desaparece e ele responde: “Não pensávamos que fosse uma criança. Não estávamos preparados, precisamos de todo o sangue de seu filho.”

Você não pode acreditar no que ouve e contesta: “Mas... mas...”

O médico insiste: “O senhor não compreende? Estamos falando da cura para o mundo inteiro!!! Por favor, assine! Nós precisamos de todo o sangue. O mundo precisa!”

Você começa assinar perguntando: “Então... Vão fazer-lhe uma transfusão?”

E a resposta vem prontamente: “Se tivéssemos sangue puro, poderíamos. Termine de assinar! Por favor, assine!”.

Em silêncio, e sem ao menos poder sentir o papel e a caneta, você os entrega ao médico. Então, lhe perguntam: “Você quer ver teu filho?”. Levam-no na direção da sala de emergência, onde se encontra seu filho, que está sentado na cama, dizendo: “Papai!? O que está acontecendo?”. Você segura na mão dele e diz: “Filho, lembre sempre que eu o amo muito e jamais permitiria que lhe acontecesse algo que não fosse necessário, você está me entendendo?”.

Nisso, o médico regressa e diz: “Sinto muito senhor, precisamos começar, pois gente do mundo inteiro está morrendo. Saia, por favor... Pode dar as costas ao seu filho e deixá-lo aqui?”.

E seu filho diz: “Papai? Por que você está me abandonando?”.

Na semana seguinte, fazem uma cerimônia para honrar o seu filho. Algumas pessoas ficam em casa dormindo, outras não vão, porque preferem fazer um passeio ou assistir um jogo de futebol na TV e outras vão com um sorriso falso, como se realmente não estivessem se importando. Com o coração explodindo, você tem vontade de gritar:

“MEU FILHO MORREU POR VOCÊS,
SALVOU-OS DA MORTE COM SEU SANGUE!!!
NÃO SE IMPORTAM COM ISSO?”

Talvez seja isso o que DEUS queira dizer:

“MEU FILHO MORREU POR VOCÊS,
SALVOU-OS DA MORTE COM SEU SANGUE!!!
...E HÁ QUEM AINDA DUVIDE
DO QUANTO EU OS AMO!!!”

É curioso e interessante como é fácil para as pessoas
debocharem de Deus e dizer que não entendem
como o mundo caminha de mau para pior.

É curioso como acreditamos
em tudo aquilo que lemos nos jornais,
mas questionamos as palavras de Deus.

É curioso como todos querem ir para o céu,
mas nada fazem para merecê-lo.

É curioso como as pessoas dizem:
"Eu creio em Deus!",
mas com suas ações, mostram totalmente o contrário.

É curioso como conseguimos enviar
centenas de piadas através de um correio eletrônico,
mas quando recebemos uma mensagem a respeito de Deus,
pensamos duas vezes,
e na maioria das ocasiões
não mandamos para ninguém.

É curioso como a maldade e a malícia
nua e crua, vulgar e obscena
passa livremente através do espaço eletrônico,
mas a discussão pública de DEUS,
é suprimida nas escolas,
nos locais de trabalho e
entre vizinhos.

CURIOSO, NÃO É ?

Mais curioso ainda é ver
como alguém pode estar tão aceso por DEUS no domingo
e ser um cristão invisível pelo resto da semana,
isto quando não se é apagado de domingo à domingo.

O mais curioso ainda é que
quando você terminar de ler esta mensagem,
não enviará à todos os que estão em sua lista de endereços,
porque você não está bem certo
daquilo que eles crêem
do que vão pensar de sua atitude.

Não se detenha em enviá-la!

É curioso como nos preocupamos
com o que as pessoas pensam de nós,
mas não nos preocupamos com aquilo
que DEUS possa pensar!!!!

"Não diga a Deus que você tem um grande problema.
Diga ao problema que você tem um grande Deus".

 

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Deixe a Raiva Secar


Mariana ficou toda feliz porque ganhou de presente um joguinho de chá, todo azulzinho, com bolinhas amarelas.

No dia seguinte, Júlia, sua amiguinha, veio bem cedo convidá-la para brincar. Mariana não podia porque ia sair com sua mãe naquela manhã. Júlia, então, pediu à coleguinha que lhe emprestasse o seu conjuntinho de chá para que ela pudesse brincar sozinha na garagem do prédio. Mariana não queria emprestar, mas, com a insistência da amiga, resolveu ceder, fazendo questão de demonstrar todo o seu ciúme por aquele brinquedo tão especial.

Ao regressar do passeio, Mariana ficou chocada ao ver o seu conjuntinho de chá jogado no chão. Faltavam algumas xícaras e a bandejinha estava toda quebrada. Chorando e muito nervosa, Mariana desabafou:

- Está vendo, mamãe, o que a Júlia fez comigo? Emprestei o meu brinquedo, ela estragou tudo e ainda deixou jogado no chão.

Totalmente descontrolada, Mariana queria, porque queria, ir ao apartamento de Júlia pedir explicações. Mas a mamãe, com muito carinho, ponderou:

- Filhinha, lembra daquele dia quando você saiu com seu vestido novo todo branquinho e um carro, passando, jogou lama em sua roupa? Ao chegar à sua casa você queria lavar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó não deixou. Você lembra do que a vovó falou?

- Ela falou que era para deixar o barro secar primeiro. Depois ficava mais fácil limpar.

- Pois é, minha filha! Com a raiva é a mesma coisa. Deixa a raiva secar primeiro. Depois fica bem mais fácil resolver tudo.

Mariana não entendeu muito bem, mas resolveu ir para a sala ver televisão.

Logo depois alguém tocou a campainha. Era Júlia, toda sem graça, com um embrulho na mão. Sem que houvesse tempo para qualquer pergunta, ela foi falando:

- Mariana, sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo atrás da gente? Ele veio querendo brincar comigo e eu não deixei. Aí ele ficou bravo e estragou o brinquedo que você havia me emprestado. Quando eu contei para a mamãe ela ficou preocupada e foi correndo comprar outro brinquedo igualzinho para você. Espero que você não fique com raiva de mim. Não foi minha culpa.

- Não tem problema, disse Mariana, minha raiva já secou. E, tomando a sua coleguinha pela mão, levou-a para o quarto para contar a história do vestido novo que havia sujado de barro.


Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Descubra a Felicidade!

 

“Pois é dando que se recebe”
(São Francisco de Assis).


Certo dia, um menino pediu-me uns trocados.

Não sei por que motivo, mas algo me impulsionou, naquele momento, a dar mais dinheiro para aquele garoto do que as moedinhas que costumo oferecer aos pedintes. Entreguei-lhe uma nota de vinte reais, e quando ele a viu, começou a literalmente pular de alegria, passando a gritar:

- “Finalmente! Finalmente vou poder ir à escola, pois agora tenho o suficiente para comprar meu material escolar! Finalmente! Agora vou para a escola!”.

Quase um ano se passou desde aquele dia. Muito provavelmente, aquele garoto já esqueceu de mim, ou da nota de vinte reais. Mas aquela cena do menino saltitando de felicidade, jamais me sairá da memória.

E é isso que de fato ocorre, sempre que deixamos de agir por interesse próprio, e nos voltamos para os outros. Todas as vezes que fazemos alguma coisa para benefício e proveito de outra pessoa, sem que esperemos com aquilo qualquer retorno para nós mesmos, tomamos contato, na prática, com uma antiga sabedoria Cristã: de que a alegria de quem doa é infinitamente maior do que a de quem recebe.

Se você está em dificuldades financeiras, ajude alguma pessoa a ganhar dinheiro.

Se você está triste, colabore para que alguém seja feliz.
Se você possui qualquer problema, auxilie uma pessoa a superar os problemas dela.
Pois estender a sua mão ao próximo é a mais bela oração que você pode oferecer a Deus. E você constatará que Ele ouvirá as suas preces (Pv 15,29; I Pe 3,12), dará novo rumo à sua vida (Pv 3,6; Sl 25,9) e satisfará os desejos de seu coração (Sl 37,4; I Jo 5,14-15).

 

ORAÇÃO:
Senhor Jesus, fazei-nos entender que nos doando, generosa e gratuitamente,
receberemos com abundância tudo o que precisamos.
Que possamos orientar nossas vidas pela generosidade,
que nos devolverá sempre mais compreensão,
mais acolhida e mais amor.
Amém!


Texto e oração escritos por
Marcos de Lacerda Pessoa
e publicados no jornal “O Capuchinho”,
Curitiba – PR, abril de 2005.

 

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Desculpe, foi Engano!

 

Este texto é sobre um rapaz que tinha muitos problemas.

Constantemente, em suas orações, ele pedia que Jesus viesse visitá-lo no seu sofrimento.

Um dia, Jesus bateu a sua porta, ele maravilhado, convidou-o a entrar, e Jesus sentou-se no sofá da sala.

Na mesinha de centro encontrava-se uma Bíblia aberta no Salmo 91. Numa das paredes estava pendurado um bordado com o Salmo 23 e na outra um quadro da santa ceia.

"Senhor Jesus", disse o jovem, "em primeiro lugar gostaria de dizer que é uma honra recebê-lo em minha casa, conforme o Senhor deve saber, estou passando por algumas dificuldades e preciso muito da Sua ajuda...".

"Filho", interrompeu Jesus, "antes de conversarmos sobre os seus pedidos, gostaria de conhecer sua casa. Onde é o lugar que você dorme?".

No mesmo instante o rapaz se lembrou que guardava, no quarto, umas revistas terríveis e se apressou em dar uma desculpa:

"Não, Jesus, lá não! Meu quarto não está arrumado!".

"Bem", disse Jesus, "e a cozinha, posso conhecer sua cozinha?".

O rapaz lembrou que na cozinha havia algumas garrafas de bebida que ele não gostaria que Jesus visse.

"Senhor, desculpe, mas prefiro que não", respondeu o rapaz, "a minha cozinha está vazia, não tenho nada de bom para oferecê-lo".

Neste instante, um barulho forte interrompe a conversa.

Pam, pam, pam!... Era alguém que batia furiosamente na porta, o rapaz se levantou, assustado, e foi ver quem era.

Abriu a porta meio desconfiado, e viu que era o diabo.

"Sai da frente que eu quero entrar!", gritou o tentador.

"De jeito nenhum", respondeu o rapaz, e assim começou a briga. Com muita dificuldade o homem conseguiu empurrar o diabo e fechar a porta.

Cansado, o rapaz voltou para sala e continuou:

"Então, Jesus", disse ele, "como eu estava falando com o Senhor, estou precisando de tantas coisas...".

Mas, outra vez a conversa é interrompida por um barulho forte que vinha da janela do quarto. O rapaz correu para ver quem era e ao abri-la se deparou, novamente, com o diabo:

"Agora não tem jeito, eu vou entrar!", disse o inimigo.

Mais uma vez o rapaz se debateu com ele e conseguiu trancar a janela.

"Senhor", disse ele, "desculpe a interrupção, conforme lhe dizia..."

Outra vez, dos fundos da casa, se ouvia tamanho barulho como se alguém quisesse arrombar a porta, era novamente o diabo:

"Eu quero entrar!"

O rapaz, já exausto, lutou com ele e conseguiu mantê-lo do lado de fora.

Ao voltar, contrariado, disse a Jesus:

"Eu não entendo. O Senhor está na minha casa e por que o diabo fica insistindo em entrar?"

"Sabe o que é meu filho", explicou Jesus, "é que na sua casa você só me deu a sala".

O rapaz humildemente entendeu a lição de Jesus e fez uma faxina na casa para entregá-la aos cuidados do Senhor.

Neste instante, o diabo bateu mais uma vez à porta.

O rapaz olhou para Jesus sem entender, e Jesus disse:

"Deixa que eu vou atender."

Quando o diabo viu que era Jesus, que atendia a porta, disse:

"Desculpe, foi engano", e sumiu rapidinho.


Muitas vezes, é assim que acontece com o nosso coração.
Entregamos a Jesus só uma parte dele,
apenas a sala, ficando as dúvidas a morar no quarto,
o descaso na cozinha, o medo na varanda,
então lutamos e não vencemos
porque a casa está dividida.


Jesus está batendo sempre à sua porta.
Cabe a você abri-la.
Mas quando o fizer,
ofereça-Lhe a sua casa
POR INTEIRO!

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO,
a partir de uma história
de autor desconhecido.

 

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Deus Responde às Nossas Orações?

Padre Natálio, com 74 anos de idade, era um homem de grande fé.
Seus magníficos sermões arrastavam milhares de fiéis à igreja, localizada em uma pequena cidade litorânea no nordeste brasileiro. Além disso, Padre Natálio havia começado naquela cidadezinha uma importante obra de evangelização.
Seguidas vezes, o padre falava a seus paroquianos que seu grande sonho era conhecer Nápoles, terra onde seus pais haviam nascido, e também o Vaticano, sede da Igreja Católica. Dizia que orava muito para que, um dia, Deus o permitisse visitar aqueles lugares.
Eu uma bela manhã de domingo, Padre Natálio teve uma das maiores surpresas de sua vida: no final de uma Missa, um dos paroquianos, que era proprietário de uma agência de turismo, deu-lhe de presente uma viagem de navio até o porto de Nápoles, com direito a conhecer o Vaticano.
Durante a travessia do navio pelo oceano, Padre Natálio foi convidado a fazer um sermão, pela manhã, aos passageiros da primeira classe. E a pedido do capitão, o tema do sermão deveria ser “Deus responde às nossas orações”.
Um jovem ateu, que assistiu ao brilhante sermão, no final do mesmo sussurrou para alguém que estava ao seu lado: - “Não acreditei em uma única palavra do que esse padre disse!...”.
No mesmo dia, à tarde, Padre Natálio foi fazer um sermão aos passageiros da classe econômica. Muitas pessoas que já haviam assistido ao sermão da manhã retornaram à tarde, inclusive o ateu que disse que queria “ouvir o que aquele loroteiro iria dizer”.
Antes do início do sermão, o ateu colocou duas laranjas em seus bolsos. No caminho, ele passou por uma senhora que estava recostada em uma cadeira reclinável, tirando uma soneca. Em espírito de brincadeira, o ateu colocou as laranjas nas palmas das mãos da senhora, as quais estavam estendidas para cima.
Ao sair do sermão do Padre Natálio, o ateu deparou-se novamente com a senhora, que estava alegremente saboreando uma das frutas. - “A senhora parece estar gostando da laranja!” falou a ela, com um sorriso maroto no rosto.
- “Sim senhor!”, respondeu ela, “meu Pai é sempre muito generoso para comigo”.
- “Seu pai?” disse o ateu em tom de surpresa, “não me leve a mal, mas certamente o seu pai não está mais vivo!”.
- “Ele está, e muito vivo!”, disse-lhe a senhora com grande firmeza e segurança.
- “Como é que pode?” perguntou o ateu. Ela então explicou:
- “Eu vou lhe contar, meu jovem: nesta viagem, já tenho estado enjoada há vários dias. Eu estava então pedindo a Deus que me mandasse uma laranja. Mas acho que adormeci quando orava. Quando acordei, porém, verifiquei que Ele não havia me mandado simplesmente uma laranja, mas duas!”.
O ateu engoliu em seco. Logo em seguida, pensativo, retirou-se daquele local. Mais tarde, o ateu procurou o Padre Natálio, e após meia hora de conversa, converteu-se ao Cristianismo.


Sim, Deus responde às nossas orações!
(Jo 14,13; Mc 11,24; Jo 16,24; Mt 6,6).

Padre Natálio Montalbini teve seus sonhos realizados: visitou Nápoles, onde encontrou tios e primos que nunca tinha visto anteriormente. E percorreu o Vaticano por dois dias inteiros. Três semanas após retornar ao Brasil, faleceu serenamente no leito de seu quarto.

O ex-ateu chama-se Luis dos Remédios. Dois anos após o falecimento do Padre Natálio, Luis dos Remédios já havia estendido a obra de evangelização do padre Natálio para 12 outros municípios do nordeste brasileiro.


FOTO: Padre Natálio Montalbini (1927-2001)
sendo abraçado pela filha de um pescador.
A foto foi tirada em 1990, em Portinho-PI.


Texto escrito por
Marcos de Lacerda Pessoa
em dezembro de 2005.

 

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Encontrei um Anjo


Dia desses eu estava sentado numa sala de espera aguardando a minha vez para cortar o cabelo, com o Toninho, da Super Quadra Tupã.

Estava muito distraído, lendo uma daquelas revistas que sempre tem em sala de espera,quando adentrou uma menina, linda, magra, muito branquinha e aparentemente,de uns sete anos de idade. Ela usava um arco a lhe prender os cabelos finos e lisos que iam até os ombros, roupas que denunciavam a origem pobre, mas que também mostravam um cuidado materno especial, pois estavam muito limpas e cheirosas.

Era uma criança impossível de não ser notada, sorriso aberto, carisma à flor da pele e trazia numa das mãos um cartão de loteria instantânea, dessas conhecidas como "raspadinha".

Já completamente cativado não me preocupei em disfarçar o meu encanto e fiquei ali torcendo para que ela me dirigisse a palavra.

Era como se eu soubesse que algo especial estava para acontecer.

- O senhor compra pra ajudar? É dez real...

- Reais, disse eu para ver a reação dela.

- É mesmo.Minha mãe sempre me corrige: dez reais. Mas o senhor compra?

A minha vontade era comprar o cartão, mas não queria acabar logo com a conversa e continuei:

- Depende... Pra ajudar o quê?

- É pra ajudar a gente lá em casa. Meu pai tá desempregado e a minha mãe ta muito doente. Eu tô vendendo essa raspadinha aqui pra poder comprar leite pro meu irmãozinho. Ele tem dois anos e meio.

A essa altura eu já tinha certeza de que compraria o cartão.

Não que me comovesse além do normal com essa história tão comum do nosso sofrido povo brasileiro. Era puro encantamento com aquela menina.

- Como é o seu nome?

- Amanda... Nossa! Como o senhor ficou vermelho!

- É que eu tive uma filha que se chamava Amanda... A última lembrança que eu tenho dela, ela era assim como você... Sabe? Em todo lugar que eu vou eu sempre encontro uma Amanda.

- Onde tá a sua filha agora?

- Ela morreu num acidente faz algum tempo. Talvez ela esteja "vendendo cartões" no céu pra ajudar lá em casa.

- O senhor ficou triste, né? Desculpa...

- Não, eu não estou triste. Mas o que é que a sua mãe tem?

- Eu não sei dizer não senhor. Mas o meu pai vive chorando escondido. Ele bem que tenta disfarçar. Eu também finjo que não noto, mas eu sei que ele ta chorando. Eu não gosto de ver meu pai chorando... O senhor vai comprar, não vai? Eu vou contar um segredo: este cartão aqui está premiado, sabia?

-É? Onde você conseguiu este cartão? E como você sabe que ele está premiado?

- Foi um anjo que desceu lá do céu e me deu ele pra eu vender. Ele disse que é um cartão premiado.


- Um anjo?

- É! Por quê? O senhor não acredita?

- Acredito sim. Mas se o anjo lhe deu o cartão e disse que é premiado, por que você o está vendendo? Por que você não raspa ele e fica com o prêmio? Assim você vai poder ajudar toda a sua família, a sua mãe...

- Mas eu não posso ficar com ele não senhor.

- Por que não?

- O anjo me disse que era pra eu vender por dez real.

- Reais!

- É. Por dez reais. E que não era pra eu raspar ele senão eu estaria sendo gananciosa. Eu não sei o que quer dizer essa palavra "gananciosa", o senhor sabe?

- Eu também não sei não.Esse anjo fala muito difícil... Mas eu tenho certeza que você não é isso não...

- Ele falou que eu tinha de dar a sorte pra alguém que eu encontrasse e que eu gostasse, e eu gostei do senhor. O senhor compra?

- Como você sabia que era um anjo de verdade?

- Ele tinha duas asas bem grandes e desceu voando lá do céu.

- Como era o nome dele?

- Ele não falou o nome dele não senhor.

- E você não perguntou?

- Se o senhor visse um anjo o senhor ia ficar fazendo pergunta? Eu fiquei foi mudinha.

- E por que esse anjo apareceu logo pra você?

- É que eu estava rezando pro menino Jesus, pedindo pro meu pai arranjar um emprego e pedindo pra Ele curar a minha mãe, então o anjo apareceu pra mim.

- Ele disse que se eu vendesse esse cartão que ele me deu, por dez real

- Reais!

- É, reais... Se eu vendesse, Jesus já tinha autorizado ele a curar a minha mãe e a arranjar um emprego pro meu pai, mas, que se eu ficasse com o cartão só ia acontecer coisa ruim.

- Então se eu comprar o cartão que o anjo deu pra você, só vai me acontecer coisa ruim?

- Não.O senhor não entendeu. Eu é que não posso ficar com o cartão. A pessoa que comprar ele, vai tá sendo boa e vai tá acreditando no anjo. Então, pra quem comprar, só vai acontecer coisa boa. O senhor vai receber o prêmio e não vai mais ser triste.

- Quem disse pra você que eu sou triste?

- Os seus olhos e o seu jeito de falar. O senhor parece uma pessoa triste, sabia?

- Sabia... Tá bom. Eu compro o seu cartão. Deixando escapar um breve suspiro, Amanda agarrou os dez "real" e, num gesto que me deixou surpreso e muito feliz, me deu um beijo no rosto.

Ela parou na minha frente e ficou olhando eu guardar o cartão no bolso, com um sorriso bobo nos meus lábios. Um tanto decepcionada ela perguntou:

- O senhor não vai raspar pra ver se está mesmo premiado?

- Não. Eu tenho certeza de que está.

- Mas se o senhor não raspar não vai poder receber o prêmio.

- Eu já recebi quando você entrou aqui.

- Eu não entendi o que o senhor quis dizer.

- Mas o seu anjo entendeu, minha filha. O seu anjo entendeu, meu anjo...

Ela foi embora meio que desconfiada, olhou pra trás algumas vezes e eu nunca mais a vi.

Sempre que volto ao Toninho, ou paro na Super Quadra para alguma coisa, corro os olhos pelas calçadas. Tenho certeza de que a verei um dia. Quero saber se sua mãe está melhor e se seu pai já "arranjou" um emprego. Quanto ao cartão, eu ainda não me atrevi a raspá-lo e creio que nunca o farei. Gosto de acreditar que sou o único homem no mundo que ganhou um cartão de loteria premiado, dado por um anjo e trazido por outro.

Quanto ao prêmio, penso que não pode haver um mais valioso do que esta História toda.


Este texto foi escrito por um senhor,
de nome Robson,
que mora em Londrina, Paraná,
e que perdeu sua filha Amanda
–de 3 anos–
no mar, durante as férias.

Texto adaptado por
Marcos de Lacerda Pessoa
para O CAPUCHINHO.

 

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